Saiba como foram as primeiras horas de Bolsonaro na Papudinha

Ex-presidente foi transferido para unidade da PM no DF após decisão do STF e segue com alimentação trazida por familiares

O ex-presidente Jair Bolsonaro iniciou sua permanência no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, com medidas especiais de custódia, incluindo isolamento, acompanhamento médico contínuo e manutenção de hábitos pessoais, após transferência determinada pelo Supremo Tribunal Federal na madrugada de sexta-feira (17), em Brasília. As informações são do O Globo.Nas primeiras horas na unidade, Bolsonaro teve acesso a banho de sol, apresentou crises de soluço e manteve a opção por refeições preparadas por auxiliares e familiares, em vez da alimentação fornecida pelo sistema interno. A escolha segue orientações médicas, com dieta de baixo teor de gordura, prática adotada desde o início da prisão no contexto das investigações sobre a trama golpista.O ex-presidente ocupa uma cela individual no Bloco B da Papudinha, espaço que também abriga outros condenados pelos atos de 8 de Janeiro, como Anderson Torres e Silvinei Vasques, sem qualquer tipo de contato com demais presos por determinação judicial. A cela tem 55 metros quadrados, área superior à utilizada anteriormente na superintendência da Polícia Federal em Brasília.A transferência foi justificada pelo ministro Alexandre de Moraes com base na possibilidade de ampliação do tempo de visitas familiares, maior número de refeições diárias, acesso contínuo ao banho de sol e condições para exercícios físicos e fisioterapia. Na Papudinha, Bolsonaro tem direito a cinco refeições diárias, elaboradas por empresa contratada pelo governo do Distrito Federal.A unidade, embora localizada no complexo da Papuda, é administrada pela Polícia Militar do Distrito Federal, não pela Secretaria de Administração Penitenciária. Moraes também determinou atendimento médico em regime de plantão, 24 horas por dia, como medida preventiva diante do histórico de saúde do ex-presidente.A questão médica é apontada como uma das principais preocupações do entorno político de Bolsonaro e de autoridades locais, especialmente após relatos anteriores de falhas estruturais no atendimento de saúde do complexo penitenciário. Um relatório elaborado por senadores em visita à Papuda no ano passado apontou ausência de médico em regime contínuo e atendimento restrito a horários específicos.Apesar das condições consideradas mais favoráveis na Papudinha, a defesa do ex-presidente pretende insistir no pedido de prisão domiciliar. Aliados avaliam que Bolsonaro deve pleitear tratamento semelhante ao concedido ao ex-presidente Fernando Collor, que obteve o benefício após condenação no STF ao alegar doenças graves.No entanto, diferentemente de Collor, Bolsonaro teve a prisão preventiva decretada após descumprimento de medidas judiciais, incluindo dano à tornozeleira eletrônica, quando cumpria regime domiciliar em Brasília. A defesa sustenta que o estado de saúde do ex-presidente é mais delicado, citando crises recorrentes de soluço, vômito e cirurgias decorrentes do atentado sofrido em 2018.Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal afirmou que a gestão da Papudinha segue critérios rigorosos definidos por decisões judiciais e protocolos de segurança. Segundo a corporação, Bolsonaro permanece em espaço individual, sem convivência, circulação comum, refeições conjuntas ou uso de áreas compartilhadas, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal.

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