Nova residência de primeira-ministra japonesa é considerada assombrada; saiba motivo
Imóvel inaugurado em 1929 reúne fatos históricos, tentativas de golpe e lendas que atravessam gerações
A mudança da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, para a residência oficial reacendeu relatos e tradições ligadas a um dos endereços mais simbólicos do poder no país, conhecido há décadas por histórias que o classificam como “assombrada” e associam o prédio a mortes ocorridas em conflitos políticos do passado. As informações são do O GLOBO.Localizada ao lado do gabinete do primeiro-ministro, no centro de Tóquio, a construção foi inaugurada em 1929 e se tornou palco de eventos marcantes da história japonesa. Durante os anos 1930, o imóvel foi cenário de tentativas de golpe lideradas por jovens oficiais do Exército, resultando na morte de autoridades de alto escalão. Marcas físicas desse período ainda permanecem na estrutura, como um buraco de bala visível em uma das paredes.Sanae Takaichi, primeira mulher a ocupar o cargo máximo do Executivo japonês, vivia anteriormente em uma moradia destinada a parlamentares. A decisão de adiar a mudança recebeu críticas depois que um forte terremoto atingiu a capital no início de dezembro e o deslocamento até o gabinete levou cerca de 35 minutos. A nova residência reduz o tempo de trajeto e amplia a segurança em situações de emergência.O edifício, construído em pedra e tijolo, teve inspiração no antigo Hotel Imperial, projeto do arquiteto americano Frank Lloyd Wright, demolido anos depois. Apesar da arquitetura imponente, o passado político violento contribuiu para a criação de narrativas que envolvem o local em mistério e temor.De acordo com relatos transmitidos ao longo do tempo, espíritos de soldados e autoridades mortas nos conflitos da década de 1930 ainda circulariam pelos corredores da mansão, sobretudo durante a noite. Essas histórias influenciaram a decisão de alguns chefes de governo, que preferiram viver em outros endereços oficiais.Takaichi assumiu o cargo prometendo “trabalhar, trabalhar e trabalhar” e declarou recentemente dormir entre duas e quatro horas por noite devido à intensa agenda. Embora não tenha comentado diretamente as lendas, aliados indicam que a mudança foi encarada de forma prática e funcional.O antecessor Shigeru Ishiba ocupou a residência após uma reforma concluída em 2005 e afirmou não temer fenômenos sobrenaturais. Fumio Kishida também relatou nunca ter presenciado nada incomum no local. Já Shinzo Abe, mentor político de Takaichi, e Yoshihide Suga optaram por outras moradias oficiais, deixando o prédio vazio por longos períodos.Com a chegada da nova primeira-ministra, a residência volta a ser ocupada e passa a representar, ao mesmo tempo, a continuidade do poder político atual e a memória de um passado conturbado da história do Japão.
