Número de mulheres diretoras de filmes caiu nos EUA em 2025; veja relatório

Estudo aponta recuo na participação feminina em produções de maior bilheteria nos Estados Unidos

Um levantamento sobre os 100 filmes de maior arrecadação nos Estados Unidos em 2025 aponta que apenas nove produções tiveram mulheres na direção, indicando uma redução expressiva em relação ao ano anterior e reacendendo o debate sobre critérios de contratação nos grandes estúdios. As informações são do The New York Times.O estudo foi elaborado por Stacy L. Smith, da Annenberg Inclusion Initiative, da Universidade do Sul da Califórnia, e mostra que a participação feminina na direção caiu de 13,4% em 2024 para 8,1% em 2025. Entre os títulos comandados por mulheres estão “Five Nights at Freddy’s 2”, dirigido por Emma Tammi, e “Freakier Friday”, sob direção de Nisha Ganatra.De acordo com o relatório, a redução não está relacionada à qualidade do trabalho. As produções dirigidas por mulheres obtiveram avaliações da crítica semelhantes às lideradas por homens, com destaque para cineastas negras e de outras minorias étnicas, que receberam os índices mais altos de aprovação.“É evidente que, quando se trata de direção, as decisões de contratação não são tomadas exclusivamente com base no desempenho”, afirmou Smith em comunicado. “Se fosse esse o caso, as mulheres negras teriam muito mais oportunidades de trabalhar atrás das câmeras no cinema.”O levantamento também indica que quase um quarto dos diretores pertence a grupos raciais ou étnicos sub representados, percentual praticamente estável em comparação com o ano anterior. Apesar disso, Smith aponta que 2025 “representa uma reversão completa de qualquer progresso alcançado por trás das câmeras nos últimos anos”, após avanços observados desde a década passada, com pico de 15% em 2020.Enquanto cineastas como Tyler Perry e Steven Spielberg acumularam 18 e 13 filmes de grande bilheteria ao longo da carreira, apenas três mulheres alcançaram mais de dois sucessos desde 2007, período inicial da série histórica analisada. São Anne Fletcher, Lana Wachowski e Greta Gerwig.O relatório atribui parte central da responsabilidade aos estúdios. Paramount Pictures, Warner Bros. e Lionsgate não contrataram nenhuma diretora para os filmes analisados em 2025. Desde 2007, a Universal Pictures lidera em número de produções dirigidas por mulheres, sendo também o único grande estúdio citado com uma executiva mulher em posição de comando, Donna Langley, presidente da NBCUniversal Entertainment.Fora do circuito dos grandes estúdios, o cenário é distinto. Mais da metade dos filmes selecionados para a competição de drama dos Estados Unidos no Festival de Sundance nos últimos oito anos teve direção feminina. Na televisão, 37% dos episódios exibidos na temporada 2023 24 foram dirigidos por mulheres, segundo o Directors Guild of America. Na Netflix, pouco mais de 20% dos filmes lançados em 2024 contaram com diretoras.Para Smith, os dados do streaming indicam um possível caminho de mudança. “É evidente que as mulheres terão muito mais oportunidades de direção se a Netflix adquirir a Warner Bros. do que se a Paramount o fizer”, escreveu no relatório.A Annenberg Inclusion Initiative também mantém programas de apoio, como uma bolsa de US$ 25 mil destinada a uma diretora não branca e iniciativas de mentoria em escolas de cinema. Entre as recomendações apresentadas estão a ampliação da contratação de profissionais qualificadas, critérios mais claros de avaliação e investimento contínuo no desenvolvimento de novos talentos femininos.

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