Família de político colocou à venda Fusquinha por R$ 50 mil após sua morte

Político ficou conhecido por dirigir seu Fusquinha enquanto governava a cidade; relembre

Pouco menos de um ano após a morte do ex-prefeito do Rio de Janeiro Roberto Saturnino Braga (1931-2024), a família decidiu colocar à venda um dos objetos mais simbólicos de sua trajetória política: o Fusca 1979. No entanto, o veículo não é o que o acompanhou durante o mandato à frente da prefeitura carioca entre 1986 e 1989 (um Fusca 1978). O carro foi anunciado em agosto de 2025 pelo valor de R$ 50 mil. O valor de um Fusca no Brasil atualmente varia drasticamente conforme o estado de conservação, ano e originalidade, situando-se geralmente entre R$ 13 mil e R$ 40 mil para modelos comuns. No entanto, exemplares de colecionador, com placa preta ou versões especiais, podem superar os R$ 150 mil.Conhecido pelo estilo simples e pela postura avessa a privilégios, Saturnino costumava dirigir o próprio Fusquinha até compromissos oficiais, mesmo quando ocupava o cargo máximo do Executivo municipal. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 26 de setembro de 1988, quando ele foi à sede da Prefeitura pilotando o carro e justificou a ausência do motorista afirmando que o funcionário não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus.Em 1990, o automóvel foi levado da porta de sua casa, à rua Maria Angélica, no Jardim Botânico (zona sul). Em entrevista à Folha de São Paulo, em 1995, quando já exercia a função de vereador, ele lembrou que o veículo foi encontrado dois dias depois, em Itaboraí (RJ). O carro tinha sido depenado. Saturnino Braga, então, consertou o automóvel e continuou com o mesmo Fusca até 1994, quando trocou o antigo por um modelo zero quilômetro, veículo que foi colocado à venda pela família.O automóvel, considerado por muitos um símbolo da austeridade do ex-prefeito, chegou a ser apontado como peça que deveria integrar o acervo do Museu da Cidade, dada sua relevância histórica. Até o momento, porém, não há informações públicas confirmando se o Fusca foi efetivamente vendido.Roberto Saturnino Braga morreu em 3 de outubro de 2024, aos 93 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, e morreu em decorrência de uma doença pulmonar obstrutiva crônica, segundo informou a família. Viúvo, deixou três filhos: Maria Adélia, Bruno e Antônio.Figura marcante da política fluminense, Saturnino vinha de uma tradicional família ligada à vida pública. Filho e neto de ex-deputados federais, iniciou sua carreira política em 1963. Teve a reeleição impugnada durante a Ditadura Militar, mas retornou à cena política nos anos 1970, elegendo-se senador pelo Rio de Janeiro e, mais tarde, prefeito da capital.Em 1986, foi eleito o primeiro prefeito do Rio escolhido pelo voto direto, com mais de 40% dos votos, em um momento histórico para a cidade. Seu governo, no entanto, foi marcado por uma grave crise financeira. Impedido pelo Banco Central de contrair novos empréstimos, Saturnino chegou a declarar a falência do município e deixou o cargo em 1988.Após a prefeitura, ainda exerceu mandatos como vereador, secretário municipal e voltou ao Senado no fim dos anos 1990, encerrando ali sua carreira política. Além da vida pública, Saturnino também se destacou como escritor. Publicou 23 livros, entre contos, memórias e obras políticas, sempre tendo o Rio de Janeiro como pano de fundo — cidade com a qual mantinha uma ligação afetiva profunda, especialmente com o bairro de Copacabana, onde passou a infância.

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