8 curiosidades sobre O Agente Secreto, filme com Wagner Moura que ganhou o Globo de Ouro

Produção dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura reúne detalhes pouco conhecidos que ajudam a entender o impacto do longa

O reconhecimento de ‘O Agente Secreto’ no Globo de Ouro 2026 ampliou a projeção internacional do cinema brasileiro. O filme venceu na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama. A repercussão da conquista também despertou curiosidade sobre o processo criativo, as referências e escolhas estéticas que marcaram a produção ambientada no Brasil da década de 1970.Apesar do título remeter ao romance homônimo de Joseph Conrad, publicado em 1907, o longa não adapta a obra literária. A ligação está na ideia central de espionagem e conflitos morais, temas que dialogam com o livro, mas aparecem em um roteiro original concebido para retratar tensões políticas e sociais brasileiras nos anos 1970.Uma das imagens mais comentadas do filme envolve uma perna cabeluda encontrada na boca de um tubarão. A referência vem de uma lenda popular de Recife, difundida nos anos 1970 após relatos publicados na imprensa local. A história ganhou espaço na cultura popular, com músicas de Carnaval e até uma escultura instalada no Marco Zero da cidade.Para recriar o Brasil de 1977, a equipe mobilizou uma grande operação logística. Foram usados 169 veículos antigos, incluindo 41 Fuscas restaurados, cedidos por colecionadores de diferentes regiões. Algumas sequências contaram com cerca de 200 figurantes ao mesmo tempo, especialmente em cenas de rua e Carnaval.O diretor incorporou referências diretas a produções conhecidas do cinema mundial e nacional. Entre elas estão Tubarão, de Steven Spielberg, e filmes policiais brasileiros da década de 1970, como Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia. As inspirações ajudaram a moldar o suspense e o tom visual do filme.A preparação dos atores exigiu dedicação diária. João Vitor Silva passava até duas horas por dia em maquiagem, com aplicação de cicatriz e prótese dentária. Wagner Moura utilizou três caracterizações distintas para representar diferentes fases do personagem ao longo da narrativa.O texto original do filme foi transformado em publicação literária. O livro traz prefácio assinado por Kleber Mendonça Filho, posfácio de Wagner Moura e imagens exclusivas de storyboard e bastidores, ampliando o acesso ao processo criativo da obra.A produção contou com profissionais estrangeiros em áreas centrais. A fotografia ficou sob responsabilidade da russa Evgenia Alexandrova, enquanto a produção executiva teve participação da francesa Emilie Lesclaux. A combinação de olhares contribuiu para a estética que mistura referências europeias com a paisagem urbana brasileira.Durante exibição no Festival de Cinema de Nova York, o longa recebeu o Golden Beast, reconhecimento informal concedido à melhor criatura presente em um filme. As vencedoras foram as gatas Liza e Elis, que aparecem na trama e foram celebradas pela equipe após a premiação.

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