Entenda como a IA pode deixar celulares e notebooks mais caros em 2026

Prioridade dada à inteligência artificial reduz oferta de componentes usados em celulares, computadores e veículos

A escassez global de memória RAM deve provocar aumento nos preços de celulares, notebooks e outros equipamentos vendidos no Brasil ao longo de 2026, segundo executivos e especialistas do setor de tecnologia. A redução da oferta ocorre porque fabricantes passaram a direcionar produção e investimentos para chips voltados à inteligência artificial, afetando diretamente a cadeia de eletrônicos de consumo. As informações são do g1.A memória RAM é um componente fundamental para o funcionamento de aparelhos eletrônicos, responsável por armazenar temporariamente os dados utilizados durante o uso de aplicativos, jogos e sistemas. Quanto maior a capacidade, melhor tende a ser o desempenho, já que o dispositivo consegue executar mais tarefas ao mesmo tempo. Ao desligar o aparelho, as informações armazenadas nesse tipo de memória são apagadas, por isso ela é considerada de curto prazo.Apesar de ser mais associada a celulares e computadores, a memória RAM está presente em diversos produtos do dia a dia, como televisores inteligentes, tablets, consoles de videogame, relógios conectados, aspiradores robô, veículos e impressoras. Atualmente, a produção global é concentrada principalmente em três empresas, SK Hynix, Samsung e Micron, que juntas lideram o mercado internacional.O avanço acelerado da inteligência artificial explica o desequilíbrio atual. De acordo com Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, as fabricantes passaram a priorizar memórias mais avançadas e lucrativas, usadas em grandes centros de dados voltados à IA. Com isso, modelos tradicionais tiveram produção reduzida, o que diminuiu estoques e aumentou a pressão sobre os preços.A principal afetada é a memória DDR4, ainda amplamente utilizada em produtos de entrada e intermediários. Com menos unidades disponíveis, empresas podem ser levadas a lançar dispositivos com configurações mais simples ou a repassar os custos ao consumidor final. Um levantamento mostrou que uma memória DDR4 de 16 GB teve aumento expressivo no valor em poucas semanas no fim de 2025.No Brasil, o impacto tende a ser maior devido a fatores como variação cambial, impostos e logística. Segundo o professor Márcio Andrey Teixeira, do Instituto Federal de São Paulo, os reajustes devem atingir com mais força os produtos mais acessíveis, justamente aqueles que ainda dependem desse tipo de memória.Executivos do setor alertam que os efeitos não se limitam à RAM. Outros tipos de memória, incluindo soluções de armazenamento como HDs e SSDs, também podem sofrer pressão, já que compartilham a mesma cadeia produtiva. Dados de mercado indicam que alguns segmentos já registraram aumentos significativos nos preços ao longo do último ano.Não há consenso sobre quando o cenário deve se normalizar. Especialistas apontam que a escassez pode se estender por vários anos. Paulo Vizaco afirma que o mercado ainda passa por um período de adaptação e que será necessário acompanhar a evolução da demanda por IA. Já a SK Hynix indicou a analistas que a situação pode persistir até o fim de 2027, enquanto fontes do setor avaliam que projetos futuros de data centers também podem sofrer atrasos.

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