Análise: Muito além da Rainha dos Baixinhos: O Alcance internacional de Xuxa

Como a apresentadora atravessou fronteiras, marcou infâncias fora do Brasil e segue sendo celebrada no mundo todo

Xuxa Meneghel sempre foi um nome gigante no Brasil. Sua fama nunca esteve em dúvida, assim como sua presença constante na memória afetiva de várias gerações. Ainda assim, há algo que frequentemente nos surpreende: o quanto Xuxa é ainda mais famosa do que costumamos imaginar. Não maior no sentido de exagero, mas em alcance, atravessamentos culturais e lembranças espalhadas pelo mundo.+ Vencedor do Grammy de álbum do ano diz que Xuxa marcou a sua infânciaDesde os anos 90, a trajetória de Xuxa ultrapassou com naturalidade as fronteiras brasileiras. Seus programas em espanhol circularam amplamente pela América Latina, alcançando públicos na Argentina, no México, no Chile e em outros países. Houve também a experiência nos Estados Unidos, com um programa infantil em inglês, algo que poucos artistas brasileiros conseguiram realizar — especialmente em uma época anterior à globalização digital. Tudo isso ajudou a consolidar uma presença internacional que não era episódica, mas contínua.Esse sucesso fora do Brasil não se deu apenas por estratégia, mas por linguagem. Xuxa criou uma estética de infância reconhecível em qualquer lugar: cores fortes, músicas fáceis, coreografias simples e uma comunicação direta, quase universal. Mesmo sem entender perfeitamente o idioma, crianças conseguiam se identificar com aquele universo. A experiência vinha antes da tradução, e isso fez toda a diferença para sua circulação global.Quando artistas internacionais mencionam Xuxa como parte de suas memórias de infância, o que emerge não é surpresa, mas confirmação. O comentário recente de Bad Bunny, lembrando dela durante sua infância em Porto Rico, ilustra bem isso. Não se trata de uma citação isolada, mas de um reconhecimento espontâneo, que revela como a apresentadora esteve presente no cotidiano cultural de crianças que hoje ocupam o centro da cultura pop mundial.Esse tipo de lembrança ajuda a dimensionar algo importante: Xuxa não foi apenas um fenômeno televisivo, mas uma figura formadora de afetos. Ela marcou infâncias em diferentes países, ajudou a construir referências comuns e atravessou gerações sem perder relevância simbólica. Seu impacto não está apenas nos números, mas nas memórias que seguem sendo evocadas com carinho.Talvez por isso seja tão bonito ver Xuxa sendo celebrada em vida. Em um país que tantas vezes só reconhece seus ídolos tardiamente, é significativo acompanhar o carinho renovado que ela recebe — dentro e fora do Brasil. Não como um resgate nostálgico, mas como um reconhecimento ativo de tudo o que ela representou e ainda representa.+ Xuxa desmente fake news que desejou a morte de BolsonaroMuito além da Rainha dos Baixinhos, Xuxa é um ícone que continua atravessando fronteiras, despertando lembranças e recebendo amor. E há algo de especialmente justo — e necessário — em ver uma artista que marcou tantas infâncias sendo celebrada enquanto ainda pode sentir, ouvir e devolver esse afeto.

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