Mãe de Oruam se pronuncia após rapper virar foragido
Marcia Gama diz que o filho sofre preconceito por ser associado à história do pai e critica diferença na aplicação da lei
Na madrugada desta sexta-feira (6), Marcia Gama, mãe do rapper Oruam, usou as redes sociais para falar publicamente sobre o momento delicado vivido pelo filho, que passou a ser considerado foragido após decisão recente da Justiça. Em um texto emocionado publicado no Instagram, ela afirmou que o artista estaria sendo constantemente julgado não apenas por seus próprios atos, mas principalmente pela trajetória de seu pai, Marcinho VP, apontado como liderança do Comando Vermelho e preso por crimes graves.No desabafo, Marcia destacou que poucas pessoas se atentam ao impacto emocional que essa associação tem causado ao filho ao longo dos anos. Segundo ela, as dores enfrentadas por Oruam vão muito além da situação judicial atual e carregam marcas profundas de rejeição e preconceito. “Se eu pudesse gritar para o mundo, diria que há tempos você não está bem. Só você sabe as dores que sente. As marcas, as feridas, a rejeição e o preconceito são visíveis, mas muitos escolhem não ver.”A mãe também reforçou a percepção de que o rapper estaria pagando por erros que não cometeu. “Antes de enxergarem o rapaz maravilhoso que você é, fazem questão de enxergar o seu pai. Tudo o que você passa não é apenas por causa de uma tornozeleira. É só porque você é filho.”Apesar do tom de proteção ao filho, Marcia deixou claro que não se coloca contra o cumprimento das normas legais, mas questionou o que considera um tratamento desigual. “Eu não vou contra a lei. Ela existe e precisa ser cumprida, sim. Mas também sabemos que ela não é aplicada com o mesmo rigor para todos.” Na mesma publicação, ela afirmou acreditar que o momento difícil será superado e pediu que Oruam tenha a chance de recomeçar.No campo jurídico, a defesa do rapper confirmou que ele não deve se apresentar nos próximos dias. A decisão veio após o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negar um habeas corpus e derrubar medidas cautelares que substituíam a prisão preventiva, como o uso de tornozeleira eletrônica.Desde então, Oruam não foi localizado em endereços ligados a ele e passou a ser considerado foragido. Relatórios judiciais apontam descumprimento das condições impostas, incluindo falhas no monitoramento eletrônico e saídas durante a madrugada. A defesa alegou problemas técnicos no equipamento, mas a Secretaria de Administração Penitenciária afirmou que o dispositivo funcionava normalmente, o que pesou para a retomada da ordem de prisão.
