Antes de Bad Bunny, um brasileiro já havia feito história no Grammy de Álbum do Ano

Quando Bad Bunny subiu ao palco do Grammy no último domingo (1º) para receber o prêmio de Álbum do Ano por Debí Tirar Más Fotos, ele entrou para a história como o primeiro artista a vencer a principal categoria com um disco totalmente em espanhol. O feito foi celebrado como um marco para a música latina — mas há um capítulo anterior, pouco lembrado, que coloca o Brasil nesse enredo muito antes.

Quando Bad Bunny subiu ao palco do Grammy no último domingo (1º) para receber o prêmio de Álbum do Ano por Debí Tirar Más Fotos, ele entrou para a história como o primeiro artista a vencer a principal categoria com um disco totalmente em espanhol. O feito foi celebrado como um marco para a música latina — mas há um capítulo anterior, pouco lembrado, que coloca o Brasil nesse enredo muito antes.Mais de seis décadas atrás, em 1965, na 7ª edição do Grammy Awards, um brasileiro já havia conquistado o troféu mais importante da noite. O responsável? João Gilberto, ao lado do saxofonista norte-americano Stan Getz, com o álbum Getz/Gilberto.Lançado em 1964, o disco é um divisor de águas na história da música. Foi ele que apresentou a bossa nova brasileira ao grande público internacional, especialmente nos Estados Unidos, e ajudou a transformar o gênero em fenômeno global. O álbum trouxe faixas que se tornaram clássicos atemporais, como “Desafinado” e “Garota de Ipanema” — esta última eternizada na versão em inglês, Girl from Ipanema.O impacto foi tão grande que Getz/Gilberto também se tornou o primeiro álbum de jazz a vencer o Grammy de Álbum do Ano — outro feito histórico que raramente aparece nas retrospectivas da premiação.Apesar da consagração, nem todos os nomes fundamentais do projeto levaram a estatueta para casa. Tom Jobim, um dos principais compositores do disco, não foi oficialmente reconhecido na categoria. O mesmo aconteceu com Astrud Gilberto, cuja voz suave transformou Girl from Ipanema em um hino global.Astrud, porém, teve seu momento naquela mesma noite: venceu o Grammy de Gravação do Ano pela canção, tornando-se a primeira mulher latina a conquistar o prêmio na categoria.Décadas depois, outro artista latino voltaria a levantar o troféu máximo da noite. Em 2000, a banda Santana, liderada por Carlos Santana, venceu o Álbum do Ano com Supernatural, impulsionado por sucessos como “Smooth”, “Maria Maria” e “Corazón Espinado”.Hoje, com Bad Bunny abrindo novos caminhos para a música em espanhol no Grammy, a vitória de João Gilberto ganha contornos ainda mais simbólicos. Antes que o mercado global estivesse pronto para celebrar a diversidade linguística no palco principal, a bossa nova já havia cruzado fronteiras — e feito história.

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