Luísa Sonza não gosta de abraços: o que a psicologia diz sobre isso?

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Luísa Sonza polemizou ao mandar um recado em suas redes sociais na semana passada avisando que não gosta de excesso de toque físico durante as interações com outras pessoas, especialmente no trabalho. Ela confessou que se incomoda com excesse de abraços.“Entendo que as pessoas têm necessidade de carinho, carência, sei lá. Fala! Não abraça, gente!… Agora, pô, você se vê toda semana, cara, o tempo todo… Para de me abraçar, pelo amor de Deus!”, disparou.Mas o que será que a psicologia diz sobre isso?”Muitas pessoas, inclusive figuras públicas como a cantora que se declarou recentemente nas redes sociais, afirmam que não gostam de abraços ou de toque físico, e isso não quer dizer que sejam ‘frias’ ou insensíveis. Esse é um aspecto da experiência humana que a psicologia estuda há décadas e que tem explicações claras”, diz a psicóloga Juliana Pereira.Segundo a especialista, gostar ou não de abraços está ligado a vários fatores psicológicos e ao modo como cada pessoa aprendeu, desde a infância, a se relacionar com o corpo e com o afeto.”Famílias em que os pais não eram muito afetivos fisicamente tendem a gerar adultos que se sentem desconfortáveis com abraço e contato físico, simplesmente porque essa forma de expressão não fazia parte de seu repertório relacional na infância”, explica.Outro aspecto importante é o estilo de apego que cada pessoa desenvolve nos primeiros anos de vida: indivíduos com apego evitativo, por exemplo, podem sentir que o toque físico invade sua autonomia e gera desconforto, porque para eles intimidade é associada a perda de controle ou ameaça emocional.”Além disso, algumas pessoas têm traços de personalidade ou níveis de ansiedade social que as tornam mais sensíveis a estímulos físicos — o abraço para elas não é apenas um gesto de afeto, mas uma situação que pode aumentar a sensação de exposição ou vulnerabilidade, especialmente se houver inseguranças em relação ao próprio corpo ou temor de julgamento social”, completa.A psicóloga diz ainda que é importante lembrar, do ponto de vista da psicologia científica, que cada indivíduo tem uma forma legítima de estruturar seu espaço pessoal e sua forma de se conectar com os outros; nem todos experimentam o toque como confortável ou prazeroso da mesma maneira.”Respeitar essas diferenças não significa ausência de afeto, mas sim reconhecimento de que existe diversidade na expressão emocional e que o cuidado psicológico passa por compreender as singularidades de cada pessoa em suas relações interpessoais”.Do ponto de vista da neurodiversidade, a especialista diz que também é fundamental considerar o Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Muitas pessoas no espectro apresentam hipersensibilidade sensorial, o que significa que o toque físico pode ser percebido como excessivo, invasivo ou até doloroso. É importante ressaltar que o autismo é um espectro, ou seja, não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas: algumas evitam completamente o contato físico, outras toleram apenas em contextos específicos ou com pessoas de confiança”, explica.Vale destacar ainda que muitos adultos, especialmente mulheres, recebem o diagnóstico de autismo apenas na vida adulta. “Durante anos, essas pessoas aprenderam a mascarar seus desconfortos para se adequar às expectativas sociais, inclusive aceitando abraços e contatos físicos que não eram emocionalmente confortáveis. Nesses casos, o diagnóstico não cria uma condição, mas ajuda a compreender uma trajetória marcada por esforço constante de adaptação”, diz.Do ponto de vista da psicologia científica, cada indivíduo possui uma forma legítima de organizar seu espaço pessoal e sua maneira de se vincular afetivamente. “Nem todos experimentam o toque como confortável ou prazeroso da mesma forma. Respeitar esses limites não significa ausência de afeto, mas reconhecimento da diversidade na expressão emocional e da importância de compreender as singularidades humanas nas relações interpessoais”, conclui.

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