Atriz de 68 anos viu a mãe ser assassinada pelo próprio pai em crime brutal
Com apenas 12 anos, um crime marcou para sempre a vida de uma das atrizes mais conhecidas do Brasil
Tudo aconteceu no dia 7 de novembro de 1970, na cidade de Campinas, interior de São Paulo. O que parecia ser um dia comum em uma casa de classe média acabou se tornando o cenário de uma grande tristeza. A professora de filosofia Margot perdeu a vida dentro da própria casa. Quem tirou a vida dela não foi um invasor ou um desconhecido, mas sim o seu marido, Augusto, que na época trabalhava como procurador de justiça.A violência do ato chocou a vizinhança e a cidade. Foram 11 facadas que colocaram fim ao casamento e à vida da professora. No meio desse caos, estava uma menina de apenas 12 anos. Ela presenciou o fim trágico de sua infância naquele momento. Além da dor de perder a mãe, ela teve que lidar com a realidade de que o pai era o responsável por tudo aquilo.Essa menina cresceu e se tornou um rosto famoso em todo o país: Maitê Proença. Hoje com 68 anos, a atriz carrega essa história difícil em sua memória. A artista, que na época era apenas uma criança, viu sua família se desfazer por causa do ciúme e da violência. O pai, Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo, matou a mãe, Margot Proença Gallo, e transformou a vida de todos os filhos para sempre.A relação entre os pais de Maitê já não estava boa. Augusto era descrito como um homem muito ciumento e desconfiado. Na cabeça dele, Margot estava tendo um caso com um professor de francês. Essa desconfiança foi crescendo até virar agressão. Meses antes do crime, ele já tinha ameaçado a esposa com uma arma.Em entrevista, Maitê relembrou como a dinâmica familiar mudou drasticamente e comentou sobre a frieza da explicação do pai para o uso da faca:“Não gosto de falar muito sobre isso. Tínhamos uma família perfeita. Depois da morte da minha mãe, ele [pai] foi morar em uma chácara e, mais tarde, morou em um manicômio. Eu perguntei porque não atirou em minha mãe, e ele disse que a faca era uma extensão do corpo dele.”O que aconteceu depois do crime foi uma sequência de dores. O pai de Maitê chegou a ser inocentado em um primeiro momento, alegando “legítima defesa da honra”, um argumento comum na época, mas absurdo nos dias de hoje. Ele não foi preso de imediato e o convívio familiar continuou, mas o peso da tragédia foi insuportável para os homens da casa.Leia também: ‘Me entendo bem sozinha, cada vez mais’, diz Maitê Proença sobre a solidãoO pai acabou tirando a própria vida em 1989. O irmão mais velho de Maitê, Zuza, também não resistiu ao trauma e cometeu suicídio anos depois. A atriz falou abertamente sobre como isso afetou sua vida e como ela precisou encontrar forças para não ter o mesmo destino:“O meu problema trouxe desdobramentos terríveis, pois meu pai se matou, meu irmão mais velho se matou e várias outras coisas que não vou contar aqui, mas que lido com elas até hoje. Eu sou feliz porque consegui me organizar dentro disso.”Por muitos anos, Maitê guardou essa dor para si. Pouca gente sabia dos detalhes. Mas, em 2005, tudo foi exposto em rede nacional. Durante o programa Domingão do Faustão, no quadro Arquivo Confidencial, a história foi contada para todo o Brasil sem que ela esperasse ou tivesse dado permissão para tocar nesse ferida publicamente.Maitê explicou, em entrevista ao podcast ‘Retiro o que eu disse’, o motivo de ter ficado calada por tanto tempo: “Passei 25 anos da minha carreira pública sem falar disso, porque achava que essa história não era só minha, mas também de outras pessoa.”Para ela, aquele momento na televisão mudou a forma como as pessoas e a imprensa a viam. O segredo que ela protegia foi arrancado, e ela sentiu que perdeu o controle sobre a própria narrativa:“Um dia, fui a um programa de auditório, e contaram uma parte dessa história. A partir daquele momento, a imprensa marrom ganhou liberdade para mexer naquilo. Eu virei outra pessoa. Não era mais uma menina do mundo cor-de-rosa, eu era uma pessoa com uma tragédia.”CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS: Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)
