Saiba o que pode estar por trás dos casos de pancreatite investigados em usuários de canetas emagrecedoras
Anvisa apura notificações e especialistas apontam fatores associados ao risco
Na segunda-feira (10/02), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária divulgou alerta após investigação de notificações e mortes suspeitas por pancreatite em pessoas que utilizaram canetas para obesidade e diabetes no Brasil, com análise de possíveis fatores ligados ao uso desses medicamentos. As informações são do g1.A apuração considera seis mortes sob investigação e mais de 200 comunicações de problemas no pâncreas em pacientes que utilizavam remédios como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Até o momento, não existe confirmação de ligação direta entre os fármacos e os quadros, porém o aumento de notificações motivou manifestação do órgão regulador. Em outro país, o Reino Unido relatou 19 mortes associadas ao uso dessas canetas, descritas como raras, mas graves.Entre os pontos avaliados está o perfil de quem utiliza esses medicamentos, formado por pessoas com obesidade, diabetes ou ambas as condições, características que já elevam a probabilidade de problemas biliares. As bulas também indicam possibilidade de formação de cálculos na vesícula, condição capaz de contribuir para inflamações pancreáticas. A redução acelerada de peso, comum durante o tratamento, também aumenta o risco de surgimento desses cálculos.Outro aspecto mencionado envolve o funcionamento digestivo. Esses remédios retardam o esvaziamento do estômago e alteram o metabolismo dos ácidos biliares, processos que podem interferir na atividade do pâncreas. O uso sem prescrição ou acompanhamento amplia a exposição a doses inadequadas e dificulta a identificação de reações adversas. Há ainda preocupação com a circulação de produtos falsificados, que impedem conhecer a composição e a quantidade aplicada.A pancreatite é caracterizada como inflamação do pâncreas, órgão responsável por enzimas digestivas e hormônios como a insulina. No país, consumo elevado de álcool e cálculos biliares seguem entre as causas mais comuns da doença. Segundo o endocrinologista Nelton Dornellas, “A pancreatite é uma doença importante e potencialmente grave. No Brasil, a gente tem uma média de registros de 200 mil casos por ano. Isso justamente pelo cenário de obesidade e diabetes no país”.A agência orienta interromper o tratamento diante de suspeita de inflamação e utilizar esses medicamentos apenas conforme indicações aprovadas e com acompanhamento profissional. Especialistas ressaltam que a presença de itens falsificados no mercado aumenta a exposição a riscos. Sobre esse ponto, Dornellas afirmou: “Quando falamos de canetas falsificadas a gente não sabe o que tem nessas substâncias, o controle do quanto está sendo aplicado. E isso piora quando a pessoa faz sem indicação. A dose pode ser arriscada para ela, ainda mais se ela tem algum histórico de questão no pâncreas e não está acompanhando isso”, afirma Dornellas.
