Ozempic e Wegovy ajudam a emagrecer, mas podem causar déficit nutricional; VEJA
Estudo indica necessidade de acompanhamento alimentar durante tratamentos para emagrecimento
Uma pesquisa científica divulgada na última quinta-feira (12/02) apontou que medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Ozempic e Wegovy, podem favorecer perda de peso relevante, mas também elevar risco de deficiência nutricional e redução de massa muscular quando não existe acompanhamento adequado, conforme revisão publicada na revista Obesity Reviews. As informações são do R7.Esses fármacos integram a classe de agonistas do receptor GLP 1 e atuam ao simular hormônios ligados à saciedade, o que reduz ingestão calórica entre 16 por cento e 39 por cento. O efeito facilita emagrecimento acelerado, porém levanta preocupação com qualidade nutricional ao longo do tratamento. O estudo, chamado “Estratégias nutricionais para terapias incretínicas de próxima geração”, conduzida por Marie Spreckley analisou evidências disponíveis e identificou escassez de dados consistentes sobre consumo adequado de proteínas, vitaminas e minerais nesse contexto.A análise indicou que até 40 por cento do peso eliminado pode corresponder à massa magra, incluindo tecido muscular, situação relacionada à ingestão insuficiente de proteína durante redução do apetite. A perda de massa magra associa fraqueza física, aumento do risco de quedas, diminuição do metabolismo basal e dificuldade de manutenção do peso no longo prazo. A ingestão limitada de micronutrientes também relaciona fadiga, queda de cabelo, redução da resposta imunológica e alterações ósseas.O levantamento identificou apenas 12 estudos dedicados à nutrição associada ao uso de semaglutida ou tirzepatida, com métodos variados e padronização limitada, condição que dificulta formulação de recomendações baseadas em evidências sólidas. Apesar disso, pesquisadores sugerem medidas inspiradas em cuidados adotados após cirurgia bariátrica, incluindo priorização de alimentos com alta densidade nutricional, ingestão adequada de proteínas distribuídas nas refeições, redução de restrições alimentares severas e adaptação da dieta para minimizar efeitos gastrointestinais.Especialistas destacam que tratamentos baseados em GLP 1 ampliam possibilidades no enfrentamento da obesidade, porém integração entre terapia farmacológica e estratégia nutricional estruturada representa fator central para preservação da saúde metabólica durante perda de peso acelerada.
