Megaoperação mira MC Negão Original e mais 52 suspeitos por golpes digitais em três Estados

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) deflagraram, na manhã desta terça-feira (24), a Operação Fim da Fábula para desarticular uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes eletrônicas. Ao todo, são cumpridos 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão nos Estados […]

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) deflagraram, na manhã desta terça-feira (24), a Operação Fim da Fábula para desarticular uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes eletrônicas. Ao todo, são cumpridos 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.Um dos principais alvos é João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original. Equipes estiveram em ao menos dois endereços ligados ao artista, em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, mas ele não foi localizado. A defesa do investigado não foi encontrada para comentar o caso.A pedido do MP-SP, a Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas bancárias — de pessoas físicas e jurídicas — identificadas ao longo das investigações. As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista.Cerca de 300 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) participam da operação, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp). Até o momento, ao menos 66 vítimas foram identificadas, segundo dados preliminares.De acordo com a Polícia Civil, os investigados podem responder por associação criminosa, estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro, inclusive com o uso de plataformas de apostas on-line (bets) e fintechs para movimentação de recursos ilícitos.Entre os crimes apurados está o chamado golpe do “falso advogado”. Nesse esquema, criminosos utilizam dados reais de profissionais da advocacia e entram em contato com clientes que possuem processos judiciais em andamento. Ao se passarem pelo advogado, solicitam transferências via Pix sob a alegação de que o valor seria necessário para liberar supostos benefícios judiciais.Outro método investigado é o golpe do INSS. Nesse caso, golpistas fingem ser funcionários da Previdência Social e, por telefone, coletam dados pessoais das vítimas para realizar saques e transações fraudulentas.Já o golpe da “mão fantasma” ocorre quando criminosos enviam links maliciosos que permitem o acesso remoto ao celular da vítima. Com o controle do aparelho, conseguem realizar transferências bancárias e outras operações financeiras.Segundo o delegado Clemente Calvo Castilhone, do Deic, a operação busca enfraquecer financeiramente a organização. “Hoje não estamos apenas cumprindo mandados. Estamos alterando a equação financeira da organização criminosa. Sem recursos, não há comando. Sem comando, não há estrutura. Sem estrutura, não há organização”, afirmou.Os crimes de estelionato seguem em crescimento no País. Em 2024, o Brasil registrou mais de 2 milhões de ocorrências pelo segundo ano consecutivo, conforme o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O roubo e a perda de celulares estão entre os principais vetores para a prática das fraudes, já que os aparelhos concentram dados bancários e informações pessoais sensíveis.Além dos golpes já mencionados, o grupo também é investigado por clonagem de cartões e fraudes aplicadas por meio de falsas centrais telefônicas, que utilizam técnicas de engenharia social para manipular e enganar as vítimas.Até a última atualização desta reportagem, não havia balanço oficial sobre o número de presos na operação.

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