Trump ameaça destruir novas áreas do Irã após ataques contra o Catar; VEJA
Tensão no Golfo pressiona petróleo e amplia risco de conflito regional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (19/03) que poderá ordenar a destruição de campos de gás do Irã caso ocorram novos ataques contra o Catar, em meio à escalada no Golfo que elevou os preços do petróleo. A declaração foi feita após ações militares envolvendo instalações energéticas na região. As informações são da AFP e do O Globo.A manifestação ocorreu após ataques direcionados a estruturas ligadas à produção de gás, incluindo áreas estratégicas compartilhadas entre Irã e Catar. O cenário intensificou preocupações globais sobre fornecimento energético e segurança regional.Na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que, se o Irã “decidir imprudentemente atacar” o Catar, então os Estados Unidos, “com ou sem a ajuda e o consentimento de Israel, destruirão massivamente todo o campo de gás de South Pars”. A publicação também atribuiu a Israel a ofensiva realizada na quarta-feira contra esse campo no Golfo, além de indicar que os Estados Unidos “não tinham conhecimento” da ação.Como resposta, forças iranianas atingiram Ras Laffan, no Catar, considerado o maior complexo industrial de gás natural liquefeito do planeta, com novos ataques realizados na quinta-feira. A empresa QatarEnergy informou “danos consideráveis” durante a madrugada, enquanto autoridades catarianas relataram controle das chamas e ausência de vítimas.O governo do Catar destacou que os ataques ultrapassaram limites ao atingirem civis e estruturas essenciais. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades em Abu Dhabi interromperam atividades em uma unidade de processamento de gás após queda de destroços de mísseis interceptados.A escalada, iniciada em 28 de fevereiro com ofensivas de Israel e Estados Unidos contra o Irã, impulsionou o preço do barril de Brent, que superou 112 dólares. O aumento reforçou temores de expansão do conflito por todo o Oriente Médio, enquanto a Arábia Saudita declarou que “reserva-se o direito” de reagir militarmente.O estreito de Ormuz segue como ponto crítico, já que concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás. No Golfo de Omã, embarcações foram atingidas por projéteis, com relatos de incêndios a bordo. Próximo à costa de Ras Laffan, outro navio também sofreu danos.A Organização Marítima Internacional convocou reunião emergencial em Londres para discutir a criação de um corredor marítimo seguro para retirada de embarcações retidas na região. A entidade estima que cerca de 20 mil marinheiros permanecem em aproximadamente 3.200 navios nas proximidades do estreito.O impacto econômico também domina debates internacionais. O Banco Central Europeu avalia efeitos do aumento dos preços de energia sobre inflação e crescimento. O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a suspensão de ataques a infraestruturas energéticas e afirmou que “As populações civis e suas necessidades essenciais, assim como a segurança do abastecimento energético, devem ser preservadas da escalada militar”.Desde o início do conflito, autoridades apontam mais de 2.200 mortes, com maior concentração no Irã e no Líbano, onde confrontos envolvem Israel e o grupo Hezbollah.
