Canetas emagrecedoras podem reduzir sintomas de ansiedade e depressão; VEJA
Estudo internacional aponta possíveis efeitos positivos na saúde mental além do controle metabólico
Pesquisadores divulgaram na quarta-feira (18/03) resultados de um estudo com dados da Suécia que apontam associação entre o uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras e a redução de sintomas de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. A análise considerou pacientes acompanhados ao longo de vários anos e avaliou impactos além do tratamento de diabetes e obesidade. As informações são da CNN Brasil.A investigação reuniu instituições como a Universidade da Finlândia Oriental, o Instituto Karolinska e a Universidade Griffith. O levantamento incluiu quase 100 mil pessoas, com mais de 20 mil em uso de fármacos dessa classe durante o período analisado entre 2009 e 2022.Os dados apontam que pacientes em uso de substâncias como a semaglutida apresentaram redução de 42% em internações hospitalares e afastamentos relacionados a condições psiquiátricas. A análise também identificou diminuição expressiva em diagnósticos específicos.O risco de depressão apresentou queda de 44%, enquanto transtornos de ansiedade tiveram redução de 38%. O estudo também identificou diminuição de 47% em problemas associados ao uso de álcool e outras substâncias.Os pesquisadores observaram ainda uma associação com menor probabilidade de comportamento suicida, o que sugere impacto mais amplo no bem-estar psicológico dos pacientes avaliados.A equipe científica aponta diferentes hipóteses para explicar os resultados. Entre os fatores possíveis estão a perda de peso, o melhor controle glicêmico e a redução no consumo de álcool. Outra possibilidade envolve ação direta no cérebro, especialmente em áreas relacionadas ao sistema de recompensa.Os autores ressaltam que o estudo não estabelece relação de causa e efeito, pois a análise foi baseada em registros observacionais. Dessa forma, ainda não há confirmação sobre os mecanismos responsáveis pelos efeitos identificados.Os achados foram publicados na revista The Lancet Psychiatry, o que reforça o interesse crescente na relação entre saúde metabólica e saúde mental.
