MPF cobra mudanças no BBB 26 após denúncias de maus-tratos em provas
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou, nesta segunda-feira (6), que a TV Globo altere regras do Big Brother Brasil 26 após episódios envolvendo possíveis violações aos direitos dos participantes durante provas do reality.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou, nesta segunda-feira (6), que a TV Globo altere regras do Big Brother Brasil 26 após episódios envolvendo possíveis violações aos direitos dos participantes durante provas do reality.A medida foi motivada por casos recentes, como o desmaio da participante Rafaella após mais de 100 horas confinada no chamado “Quarto Branco” e o mal-estar de Ana Paula Renault durante o “Castigo do Monstro”. Para o MPF, situações como essas podem configurar tratamento desumano ou degradante, o que é proibido pela Constituição.No documento, o órgão solicita que a emissora deixe de restringir o acesso dos participantes a itens básicos, como água, alimentação e banheiro durante as dinâmicas. Também recomenda o fim de provas que exijam que os competidores permaneçam em pé por mais de três horas seguidas ou submetidos a isolamento sob luz intensa por longos períodos.Segundo o procurador Julio Araujo, práticas que envolvem privação de sono, isolamento e limitação de necessidades básicas apresentam semelhanças com métodos de tortura e não podem ser justificadas pelo consentimento dos participantes.Além disso, o MPF pede que a Globo avalie previamente o histórico médico de cada participante antes das provas, evitando expor pessoas com condições de saúde a riscos. O caso de Ana Paula Renault foi citado como exemplo, já que ela havia passado por cirurgia recente na coluna antes de participar de uma prova de resistência.Direito de desistência e apoio psicológicoA recomendação também estabelece que os participantes possam desistir de qualquer atividade ao sentirem desconforto físico ou mental, sem sofrer punições. Outro ponto é a obrigatoriedade de acompanhamento psicológico por tempo indeterminado para todos os eliminados ou desistentes do programa.O MPF destacou ainda que edições anteriores do reality já registraram episódios de emergência médica e desistências, reforçando a necessidade de mudanças estruturais.Investigação em andamentoA recomendação integra um inquérito civil aberto em março, que investiga se determinadas dinâmicas do programa podem ser classificadas como tortura ou tratamento degradante. Um dos focos da apuração é o “Quarto Branco”, criticado por entidades como a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que apontou semelhanças com práticas utilizadas durante a ditadura militar.O MPF também citou normas internacionais, como o código de radiodifusão do Reino Unido, que passou a exigir maior cuidado das emissoras após a morte de um ex-participante de reality em 2019.Em resposta anterior, a TV Globo afirmou que mantém suporte médico contínuo no programa, incluindo UTI móvel e protocolos de emergência. A emissora também declarou que participantes recebem atendimento imediato e, quando necessário, são encaminhados a hospitais.Caso as recomendações não sejam cumpridas, o MPF poderá adotar medidas judiciais e administrativas.
