Aos 70 anos, ex-apresentador planeja faturar R$ 1 bilhão com projeto inovador
Pai de influenciadoras famosas, ex-apresentador aposta na construção industrializada para faturar seu primeiro bilhão no setor; saiba quem é
A nova aposta no mercado de construção civil brasileiro tem metas ambiciosas e cifras impressionantes: faturar R$ 1 bilhão até o ano de 2026 com a entrega de até 10 mil casas anualmente. Utilizando a tecnologia de steel frame, um sistema de estruturas metálicas pré-fabricadas com montagem ágil, semelhante ao encaixe de peças de LEGO, a startup SteelCorp quer revolucionar o acesso à moradia no país, focando fortemente em programas de habitação social, como o Minha Casa, Minha Vida.A operação ganhou escala recentemente com a inauguração de uma nova unidade em Cajamar, no interior de São Paulo, que dobrou a capacidade produtiva da companhia. O modelo de negócios rejeita a construção de obras isoladas, apostando exclusivamente em grandes volumes e contratos milionários. A tecnologia empregada reduz o prazo de entrega em até 60% e derruba o desperdício de insumos na obra para menos de 5%, em total contraste com os 30% perdidos no modelo tradicional.Por trás dessa megaoperação está o ex-apresentador e empresário Roberto Justus, que, aos 70 anos, abraça a empreitada com um forte valor sentimental e o desejo de erguer um marco definitivo na sua trajetória. “Isso aqui consolida um sonho que começou há dois anos”, declarou o empresário durante o evento de inauguração. Mais do que faturamento, o projeto representa a construção de um legado pessoal: mudar a lógica da moradia de baixa renda no Brasil e formar uma nova geração de profissionais. Encarando o negócio como um propósito de vida, ele afirma que a construção modular “não é moda, é um caminho sem volta”.Hoje, cerca de 30% da carteira da SteelCorp já está atrelada a projetos de habitação social, mas o planejamento estratégico visa inverter rapidamente essa proporção para 90% da operação. A empresa já executa, inclusive, um projeto-piloto com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) de São Paulo, e fornece para incorporadoras casas padronizadas de 40 a 49 metros quadrados.Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Justus reforçou o apelo incontestável do setor de habitação popular: “Mergulharei de cabeça nesse programa. Sai governo, entra governo, não importa a bandeira do partido. Esse mercado é comprador”.A virada de chave da startup vem sendo arquitetada desde a sua fundação em 2023, que ocorreu a partir da compra da fábrica TecnoFrame. Os números mostram um crescimento meteórico: o faturamento saltou de R$ 23 milhões no primeiro ano de operação para a casa dos R$ 200 milhões em 2024.Esse crescimento se apoia unicamente no volume. Em conversa anterior com a revista EXAME, o empresário já desenhava a estratégia que pavimentaria o faturamento bilionário: “Se alguém me pedir para construir uma casa isolada, eu não faço. Mas se forem 500 casas, aí sim. Nosso negócio é a escala”.Para dar conta da demanda, o ecossistema foi ampliado para além de São Paulo. A marca hoje opera uma unidade em Aparecida de Goiânia (GO) e expandiu para os Estados Unidos, com uma fábrica na Flórida que já possui contrato fechado para entregar 1.500 casas modulares em 2025. Para sustentar a operação estruturalmente, Justus criou também a SteelBank (uma securitizadora para financiamentos) e a SteelAcademy (escola técnica para formar mão de obra).Apesar do clima de celebração na recente inauguração da fábrica de Cajamar, um evento de gala para 600 convidados, regado a banda de jazz e tours em carrinhos de golfe pelo showroom Villa Steel (que exibe, entre outros, projetos vitais para a reconstrução do Rio Grande do Sul), a caminhada empresarial exige fôlego. O setor de construção civil ainda é conservador, e a SteelCorp disputa a mudança de mentalidade do mercado com outras gigantes que testam o sistema, como MRV, Tenda, Tech Verde e Brasil ao Cubo.Nos bastidores financeiros, a empresa também precisou navegar por uma forte reestruturação societária. A Reag Investimentos, gestora que detinha 30% da startup desde o início, precisou se desfazer de sua participação no negócio em agosto deste ano. A saída ocorreu após a Reag ser alvo da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que investigou fraudes no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro envolvendo membros do PCC, levando a gestora a liquidar diversos ativos do seu portfólio.Ainda assim, com capacidade para consumir até 8.000 toneladas de aço por ano e montar até 10 casas por dia, o projeto do empresário segue acelerado, apostando que quem dominar a industrialização da construção primeiro, ditará o futuro da habitação no Brasil.CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS: Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)
