MV Bill expõe bastidores da TV: ‘Nos anos 90, parecia a Dinamarca’
MV Bill, rapper e ator, foi destaque no Festival Negritudes 2025, realizado no Galpão da Cidadania, no Rio de Janeiro, em 15 de maio. Isso porque durante o evento, ele abordou a escassa representatividade negra na televisão brasileira nas décadas passadas.
MV Bill, rapper e ator, foi destaque no Festival Negritudes 2025, realizado no Galpão da Cidadania, no Rio de Janeiro, em 15 de maio. Isso porque durante o evento, ele abordou a escassa representatividade negra na televisão brasileira nas décadas passadas.“A gente ligava a TV nos 90 e parecia que a gente estava na Dinamarca”, afirmou, primeiramente, destacando o distanciamento das produções televisivas da realidade da população negra.O artista relembrou sua participação no programa “Altas Horas” em 2008, onde defendeu as cotas raciais mesmo sem questionamento direto. “Eu me expus quando estava no programa do Sérgio Groisman. O assunto cotas foi levantado. E eu nem tinha sido questionado, eu nem fazia parte daquela discussão. Mas eu ia me sentir muito mal se eu não me metesse naquele momento, não desse a minha opinião, não levasse a discussão pra outro lugar”, recordou.Após esse episódio, MV Bill amargou 14 anos sem novo convite para o programa. Mas afirmou não se arrepender de sua postura.Ele também mencionou a influência do livro e documentário “A Negação do Brasil”, de Joel Zito Araújo, em sua visão crítica sobre a teledramaturgia nacional. “Eu tinha acabado de ler o livro do Joel Zito Araújo, chamado ‘A Negação do Brasil’, que é um livro e documentário fundamental. Não foi uma história romantizada, de glamour. É a gente que levou muita porrada pra chegar nesse momento que a gente está aqui hoje”, afirmou.MV Bill celebrou os avanços na representatividade negra na televisão, destacando a presença de protagonistas negras nas três principais novelas da Globo.“E a gente ter um período com três protagonistas, nas três principais novelas do país, acho que diz muito. E o mais importante foi que a emissora não levantou bandeira. Não precisa. Isso tem que ser uma coisa natural, do jeito que foi. Tem que ser parte do nosso dia a dia. E que bom que está tendo uma mudança de pensamento”, destacou ele, por fim.O Festival Negritudes Globo reuniu cerca de 2 mil pessoas e contou com apresentações de artistas como Gilberto Gil, Alcione, Mumuzinho, Teresa Cristina e Neguinho da Beija-Flor. Além das apresentações musicais, o evento promoveu debates sobre temas como fé, autoestima, carreira e amor, com a participação de personalidades como Tony Tornado, Duda Santos, Isabel Fillardis e Erika Januza.
