Irmão relembra como foram os últimos dias de vida de Lô Borges: Dolorosa maratona
O músico morreu no último dia 2 de novembro em decorrência de falência múltipla de órgãos, resultado de uma intoxicação medicamentosa
Telo Borges, irmão e principal parceiro musical de Lô Borges, que morreu no último dia 2 de novembro em decorrência de falência múltipla de órgãos, resultado de uma intoxicação medicamentosa, usou as redes sociais na última segunda-feira, dia 10, para relatar pela primeira vez sobre os últimos dias de vida do músico. Através de uma postagem no Instagram, Telo faz uma linha do tempo da internação de Lô, que precisou passar por vários procedimentos médicos. No dia 25 de outubro, inclusive, ele foi submetido a uma traqueostomia para facilitar a ventilação mecânica. Apesar de uma leve melhora nos dias seguintes, precisou iniciar sessões de hemodiálise em 27 de outubro para apoiar a função renal. Lô Borges permaneceu traqueostomizado até o falecimento.Chegou de repente… Pensa num barulho, um estrondo, um pancadão forte. Pensou? Multiplica por mil… Tudo começou naquele fatídico domingo à noite em que o meu irmão Yé me ligou dizendo que o Lô estava internado e entubado no CTI e na hora eu tive uma dor de barriga, um choro com oração e ali começava uma dolorosa maratona. No dia seguinte eu estava lá, cedo, no CTI ao lado dele e do Yé. E essa rotina se estendeu por fatídicos 17 dias, começou. Telo segue relatando quando as notícias começaram a não ser tão boas: Dias de pequenas vitórias, passos pra frente e outros tantos pra trás, súplicas, choros, orações, boletins cuidadosos pra família com otimismo, mas sempre nos preparando pra tudo. Os dias finais foram de notícias bem ruins sobre a situação até chegarmos no domingo quando não nos deixaram entrar no CTI pela manhã. O irmão de Lô também relembra quando a emoção tomou conta dele: Ficamos observando pelo vidro o movimento lá dentro do CTI; o corre corre… chega uma das atendentes e diz que a psicóloga iria conversar com a gente. Minhas pernas bambearam.. senti o coração batendo na boca. O Yé sugeriu que eu tomasse um calmante, peguei um pedaço do comprimido, coloquei na boca, mas cuspi em seguida. Falei com o Yé que precisava andar urgente… sair andando…. Caminhei na praça em frente ao hospital, liguei pra minha filha. Quando desliguei abri a boca… chorei alto….. e depois voltei pra conversar com os médicos. A coisa estava por um fio…. Fomos pra Sta Tereza comunicar os outros irmãos. No final da tarde voltei pro hospital e vi que não era mais o Lô que estava respirando… só as máquinas…. Orei… marquei de encontrar com ele na eternidade e fui pra casa. Ele finaliza fazendo uma analogia da dor do luto a um soldado ferido na guerra: Uma hora depois o Yé me avisa que o hospital tinha ligado. Respirei fundo… de novo o coração na boca e tentei me recuperar e me preparar pra ser útil de alguma maneira em meio ao estrondo ensurdecedor. Hoje me sinto como um ferido numa batalha que foi perdida, mas eu sei em quem tenho crido e que a vida, a morte, as coisas do passado, do presente e do porvir e toda essa guerra da existência humana só tem um grande e absoluto vencedor, a saber, Cristo Jesus meu Senhor e Salvador. À Ele entrego o meu irmão, minha família, minha vida, o meu luto, a minha dor e a minha emoção.Confira a publicação:
