Experimento na Alemanha busca voluntários para viver 100 dias como astronautas; saiba valor

Estudo europeu vai pagar quem topar enfrentar isolamento extremo em uma estação espacial simulada

Um projeto científico inédito está chamando atenção na Alemanha e no mundo inteiro. O país abriu inscrições para um experimento que vai simular, com realismo máximo, como é viver em uma missão espacial de longa duração. A proposta? Colocar seis voluntários em confinamento total durante 100 dias, replicando a rotina, o isolamento e os desafios enfrentados por astronautas em missões que chegam a durar meses fora da Terra.Os participantes passarão o período dentro de uma estrutura que imita uma estação espacial, na cidade de Colônia. A rotina inclui monitoramento constante, tarefas controladas e ambiente totalmente restrito, recriando as exigências psicológicas e fisiológicas que profissionais enfrentam ao deixar o planeta.E para quem acha que aceitar o desafio é “coisa de outro mundo”, o incentivo é tentador: quem completar o confinamento receberá 23 mil euros, cerca de R$ 140 mil.O estudo, chamado SOLIS1000, está sendo conduzido pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) com financiamento direto da Agência Espacial Europeia (ESA). A ideia é ir além de testes físicos tradicionais: os pesquisadores querem mapear profundamente como o ser humano reage ao isolamento extremo, à ausência de estímulos naturais e à convivência limitada.“As futuras missões espaciais irão além da órbita da Terra e terão como destino locais distantes, como a Lua ou Marte”, afirma a chamada oficial do projeto. A pesquisa surge exatamente para antecipar essas condições, avaliando os impactos sobre o bem-estar, o comportamento e o desempenho dos participantes.Além disso, os resultados ajudarão a definir que tipo de suporte psicológico e fisiológico será necessário para astronautas em viagens cada vez mais longas — e cada vez mais reais.Com a preparação para novas missões lunares e a ambição de chegar ao planeta vermelho nas próximas décadas, entender como o corpo e a mente reagem a esse tipo de confinamento se torna uma peça essencial do futuro da exploração espacial.O confinamento ocorrerá no Instituto de Medicina Aeroespacial do DLR, onde os seis voluntários viverão a experiência completa — sem vista para o céu, sem contato com o mundo exterior e seguindo uma rotina digna de ficção científica, mas completamente real.O estudo alemão que simula missões espaciais exige candidatos altamente preparados. Para participar, é preciso ter entre 25 e 55 anos, estar em excelente saúde, praticar exercícios regularmente, ter formação superior — preferencialmente em áreas como medicina ou tecnologia — e falar inglês fluentemente. Os voluntários ainda passam por avaliações psicológicas e médicas antes de serem aprovados.Durante a experiência, a rotina imita a vida real dos astronautas, com espaços limitados, pouco contato com o exterior, privação de luz solar, trabalho em equipe e regras rígidas. Há apenas dois banhos por semana, exercícios diários, proibição de cochilos e limite de 1,5 kg de itens pessoais. Todo o ambiente é monitorado, exceto dormitórios e banheiros.Além do confinamento de 100 dias, outros estudos em parceria com a NASA buscam entender efeitos da ausência de gravidade, como perda muscular e óssea. Para isso, há experimentos em que voluntários precisam ficar 60 dias deitados em camas inclinadas, simulando o deslocamento de fluidos no corpo tal como ocorre no espaço.

Carregar Mais Notícias