Delegado baleado em operação no Rio diz que criminoso usou código da polícia para se infiltrar; veja vídeo
Após quase 50 dias internado, Bernardo Leal relata como foi enganado durante ação no Complexo do Alemão e relembra luta pela vida
O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Bernardo Leal falou publicamente pela primeira vez desde que foi baleado durante uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro. Em entrevista exibida neste domingo (21) pelo Fantástico, ele revelou detalhes inéditos do ataque que mudou sua vida.Segundo o delegado, a operação avançava por becos estreitos, semelhantes a um labirinto, quando um homem surgiu vestindo roupas escuras e colete, com aparência compatível à de um policial em ação. A semelhança visual não levantou suspeitas imediatas.O que realmente convenceu Bernardo foi a comunicação. Em áreas de confronto, agentes utilizam senhas e contrassenhas para identificação rápida entre equipes — procedimento padrão em incursões de alto risco.O criminoso, de acordo com o delegado, conseguiu repetir corretamente o código usado pelos policiais naquele momento. “Como o confronto estava muito intenso, então durante os ataques, eles ouviram a senha e a contrassenha. Quando deu a contrassenha, fiquei mais tranquilo, corri para o lado. Quando corri para a direita, ele atirou na minha perna”, relatou.O disparo de fuzil atingiu a perna direita de Bernardo, causando fratura no fêmur e rompendo artéria e veia femoral, o que provocou uma hemorragia severa. Ele permaneceu por mais de uma hora sob intenso tiroteio até ser resgatado pelos colegas.Para salvá-lo, policiais quebraram paredes de uma residência próxima, improvisaram um torniquete e o carregaram nos braços até uma viatura. O delegado chegou ao hospital com apenas 3% de chance de sobreviver e precisou receber cerca de 30 bolsas de sangue durante o atendimento.Inicialmente, os médicos realizaram uma amputação abaixo do joelho, mas a falta de circulação obrigou a ampliação do procedimento até a parte superior da coxa. Bernardo recebeu alta há uma semana, após 47 dias de internação, e agora inicia o processo de reabilitação e adaptação a uma prótese, que será custeada pelo governo do estado.Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, o delegado relembrou o medo da morte e a gratidão pelos colegas que não desistiram. “Eu sabia que estava muito ruim. Pedi para ligarem para minha mulher, queria me despedir. (…) Os caras foram incansáveis por mim e minha gratidão eterna a eles. Eu só estou vivo hoje foi porque eles não desistiram, momento algum”, afirmou.O delegado da Polícia Civil Bernardo Leal, que perdeu a perna na desastrosa “megaoperação” no Rio, revelou algo gravíssimo: Ele foi baleado por um criminoso vestido exatamente como policial, que usava senha, contra-senha, códigos internos de comunicação da polícia.Quem vazou… pic.twitter.com/zJfR46HuMf
