Aluno tira zero na redação da Fuvest ao usar palavras difíceis; VEJA

Estudante afirma que busca explicação da nota enquanto professores apontam falhas na clareza e no desenvolvimento

O estudante Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, recebeu nota zero na redação da segunda fase da Fuvest e decidiu acionar a Justiça após eliminação do processo seletivo para Direito na Universidade de São Paulo, na quinta-feira (27/03), em São Paulo. As informações são do g1.O candidato afirmou que tomou a decisão para obter uma justificativa formal da banca avaliadora, após receber apenas retorno considerado genérico. O texto apresentado no exame foi marcado pelo uso de vocabulário incomum e construções complexas.“Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.”“Recebi um e-mail genérico quando perguntei qual o motivo da eliminação. Juntamente à minha mãe, que é advogada, entrei com pedido de mandado de segurança”, diz Luiz ao g1. “Ainda estou aguardando uma resposta do reitor da USP. Só queria entender minha nota.”De acordo com a organização do vestibular, o texto não atendeu à proposta temática sobre o perdão, o que comprometeu a avaliação. “Não há indícios suficientes que demonstrem essa compreensão [do tema] e desenvolvimento (…), o que prejudica sensivelmente a pertinência das informações e da efetiva progressão textual”, informou a instituição.A banca também destacou que a correção envolveu múltiplas análises independentes e que não existe possibilidade de revisão da nota nesse caso.Professores consultados avaliaram que o uso excessivo de termos eruditos prejudicou a estrutura argumentativa. Trechos como “Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo.” e “Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária.” ilustram a dificuldade de compreensão apontada por especialistas.Segundo os docentes, o texto priorizou referências teóricas e vocabulário sofisticado em detrimento da construção de uma tese clara e alinhada ao tema proposto, fator decisivo para a atribuição da nota zero.Intentona pela Reconstituição da InterioridadePerpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão – significado – múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana – de Pierre Bourdieu – a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno – era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.

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