Análise: ‘God Bless America’: o espetáculo político e cultural de Bad Bunny no Super Bowl
Em 13 minutos, cantor ocupou o maior palco dos Estados Unidos e transformou entretenimento em disputa simbólica sobre quem pode dizer — e ser — a “América”
No domingo (8) à noite, o Super Bowl 2026 não foi apenas o maior evento esportivo dos EUA — foi palco de um dos momentos culturais mais comentados do ano. Quando Bad Bunny, artista porto-riquenho que domina as paradas globais, subiu ao palco do Halftime Show, ele entregou muito mais do que hits e pirotecnia: apresentou um espetáculo que virou debate político e símbolo de identidade em um país dividido.+ Análise: Muito além da Rainha dos Baixinhos: O Alcance internacional de XuxaO show de 13 minutos, quase todo em espanhol, foi a primeira apresentação do gênero solo latino no intervalo do Super Bowl e marcou uma mudança de paradigma. A performance misturou reggaeton, elementos de cultura puertorriqueña, cenas de festas comunitárias e até um casamento ao vivo, transformando o campo do Levi’s Stadium em algo inesperado para os olhos dos telespectadores tradicionais.Mas foi no final, ao dizer as únicas palavras em inglês da noite — “God bless America” — que Bad Bunny lançou seu gesto mais simbolicamente potente. Em vez de restringir o termo “América” aos Estados Unidos, ele começou a listar países de toda a América — do Chile ao Canadá — enquanto bandeiras de todo o continente eram exibidas atrás dele e a mensagem “Together, We Are America” brilhava no estádio.Esse momento — simples na forma, complexo no significado — virou assunto tanto nas mesas de bar quanto nas redes sociais e nos noticiários. Para muitos na América Latina e entre comunidades latinas nos Estados Unidos, foi uma resposta cultural poderosa a um contexto político tenso, no qual debates sobre imigração, identidade e pertencimento continuam acirrados.Em cidades como Cidade do México e San Juan, fãs reagiram com emoção ao ver suas culturas representadas em um dos palcos mais assistidos do mundo. Alguns disseram sentir que nunca antes haviam sido tão visivelmente incluídos na narrativa americana sem a necessidade de “cruzar” para o inglês ou adaptar suas tradições.Do outro lado do espectro, a apresentação provocou críticas de setores mais conservadores. Figuras públicas como o presidente dos EUA classificaram o show como “não patriótico”, ignorando o fato de que o movimento de Bad Bunny foi justamente expandir a ideia do que significa ser “americano” — não restringi-la.A reação pública deixou claro que o espetáculo ultrapassou o campo da música. Enquanto alguns comentadores se emocionaram ao vivo na transmissão, descrevendo o momento como uma expressão de inclusão e amor, outros viram na performance um ponto de choque cultural — prova de que, mesmo em entretenimento, o político está sempre presente.Musicalmente, a apresentação foi vibrante e cheia de energia, com participações de artistas como Lady Gaga e Ricky Martin e referências à história e realidade de Porto Rico — tudo isso enquanto Bad Bunny levantava questões sobre orgulho, identidade e retenção cultural.+ Vencedor do Grammy de álbum do ano diz que Xuxa marcou a sua infânciaNo fim das contas, o show de Bad Bunny no Super Bowl foi mais do que uma performance musical: foi um gesto de afirmação cultural que ressoou em todo o continente americano. Para muitos, foi um lembrete de que a música tem poder — não apenas para entreter, mas para desafiar narrativas, unir audiências e provocar conversas que ultrapassam fronteiras.**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores
