Canetas emagrecedoras podem reduzir duração do botox? Entenda

Pesquisadores observam possível relação entre o uso de semaglutida e tirzepatida e a menor duração da toxina botulínica tipo A

Uma descoberta publicada no portal científico PubMed tem gerado debate entre especialistas em estética e endocrinologia. A pesquisa, feita por modelagem computacional, sugere que os medicamentos com semaglutida e tirzepatida — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — podem interferir na durabilidade do botox, reduzindo o tempo de ação da toxina botulínica tipo A.Os cientistas observaram que, entre pacientes que utilizam esses remédios, o efeito médio das aplicações faciais caiu de 20 para 16 semanas. O estudo associa a diferença à perda de massa magra e às mudanças no metabolismo provocadas pelos agonistas do receptor GLP-1, grupo ao qual pertencem os medicamentos usados no controle de peso e da glicose. As informações são do Metrópoles.De acordo com a dermatologista Natasha Crepaldi, os resultados ainda não são definitivos, mas têm fundamento. “Quando há perda rápida de peso e redução de massa magra, o metabolismo e o padrão muscular mudam. Isso influencia a resposta do organismo ao botox e pode fazer com que o efeito dure menos tempo”, explica.A médica Paula Gonçalves Schroder, da Clínica Nilo, também ressalta que a pesquisa é teórica, mas levanta um ponto relevante. “O uso de agonistas do GLP-1, como a semaglutida, poderia realmente reduzir a durabilidade do botox. Isso acontece por causa das alterações no metabolismo, na massa magra e na comunicação entre nervos e músculos”, diz.Ambas reforçam que pacientes devem informar ao dermatologista sobre o uso de medicamentos para emagrecimento antes de realizar o procedimento. “Essa informação é essencial para que o médico possa ajustar a dose e a técnica de aplicação, garantindo um resultado mais natural e duradouro”, completa Natasha.Para evitar que o efeito da toxina botulínica diminua rapidamente, especialistas recomendam associar o procedimento a tratamentos complementares que estimulem o colágeno e sustentem a firmeza da pele, como ultrassom microfocado, radiofrequência, lasers e bioestimuladores. “Essas técnicas ajudam a compensar as mudanças estruturais que ocorrem durante o emagrecimento”, orienta a dermatologista.Embora ainda não existam conclusões definitivas, a pesquisa reforça um ponto importante: o equilíbrio entre estética e saúde é essencial para garantir resultados seguros e duradouros, mesmo quando o corpo passa por transformações significativas.

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