Carnaval ganha tom de protesto e blocos prestam homenagem ao cão Orelha pelo país

Folia vira espaço de conscientização após caso de violência que comoveu o Brasil

Antes mesmo de o Carnaval começar oficialmente, o clima nas ruas já aponta para um movimento que vai além da festa. Em diferentes cidades do país, blocos carnavalescos estão usando a visibilidade da folia para levantar uma pauta urgente: o combate à violência contra animais. A mobilização ganhou força após a morte do cão comunitário Orelha, caso que provocou comoção nacional e reacendeu debates sobre maus-tratos e impunidade.No Recife, o tradicional Bloco da Bicharada, que completa 15 anos de história, decidiu transformar sua trajetória carnavalesca em um ato simbólico de resistência. A proposta é clara: unir música, fantasia e conscientização, dando voz a uma indignação coletiva que ultrapassa fronteiras regionais. A iniciativa acompanha ações semelhantes que já surgiram em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.Orelha era um cão comunitário que vivia há mais de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis, sob os cuidados informais de moradores e frequentadores da região. Conhecido e querido por quem passava pelo local, o animal foi brutalmente agredido por adolescentes. Devido à gravidade dos ferimentos, acabou sendo submetido à eutanásia, o que gerou revolta e tristeza em todo o país.Desde então, manifestações, atos públicos e homenagens passaram a acontecer em várias capitais, reforçando pedidos por justiça no caso e por políticas mais rígidas contra a violência animal. Dentro desse contexto, o Carnaval surgiu como uma plataforma inesperada, mas potente, para amplificar a mensagem.Longe de se limitar ao entretenimento, os blocos decidiram usar o alcance popular da festa para lembrar que celebrar também pode ser um ato político. Entre marchinhas e desfiles, o discurso é de respeito à vida e responsabilidade coletiva.Diversos grupos já confirmaram ações em memória de Orelha durante o Carnaval. Em Santa Bárbara d’Oeste (SP), o BloCão – Animais Têm Voz participa da programação de 2026 com foco na denúncia de maus-tratos. No Rio de Janeiro, a Banda dos Amigos, na Barra da Tijuca, abriu o Carnaval com um enredo voltado à defesa dos animais. Já em Florianópolis, o Bloco da Lisa, conhecido por abordar temas sociais, incluiu a causa animal em seu desfile, citando diretamente o caso de Orelha.Ao transformar a festa em manifesto, esses blocos mostram que o Carnaval também pode ser espaço de memória, conscientização e cobrança por mudanças reais.

Carregar Mais Notícias