Carros elétricos passam a ser alvo do tráfico; saiba o motivo!
Comunidades já contam com pontos de recarga ligados de forma irregular à rede elétrica
Carros elétricos entraram no foco de grupos criminosos no Rio de Janeiro após ações policiais identificarem pontos clandestinos de recarga em comunidades dominadas pelo tráfico, incluindo a Vila Aliança, na Zona Oeste da capital, durante uma operação realizada na quinta-feira (9 de janeiro de 2026). Segundo as autoridades, os equipamentos são usados para abastecer veículos roubados ou furtados por meio de ligações ilegais de energia. As informações são do O GLOBO.De acordo com investigações da Polícia Civil, estruturas semelhantes também foram localizadas em áreas do Complexo da Maré, da Penha, do Alemão e do Chapadão, em regiões controladas tanto pelo Terceiro Comando Puro quanto pelo Comando Vermelho, ampliando o uso desse tipo de veículo pelo crime organizado.As apurações indicam que a recarga direta em postes permite aos traficantes evitar deslocamentos para postos de combustível e elimina gastos com energia. Em 2023, policiais localizaram na Penha um wallbox, carregador fixo residencial, utilizado para abastecer automóveis avaliados em mais de R$ 200 mil.O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, confirmou aumento nos roubos desse tipo de veículo e destacou a vantagem logística oferecida aos criminosos. “A facilidade do veículo elétrico é a possibilidade de recarga na própria favela. Dessa forma, os criminosos evitam o risco de se deslocar para abastecer em outros locais ou até mesmo de comprar combustível para levá-lo às comunidades”, explicou.Especialistas apontam dois fatores principais para o avanço desse tipo de crime. O primeiro é a expansão da frota. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico mostram que as vendas no Estado do Rio passaram de 12.754 unidades em 2024 para 20.262 no ano seguinte. O segundo fator seria uma resposta de facções a operações recentes, como ações realizadas na Penha e a chamada Barricada Zero, que teriam levado a ordens internas para ampliar roubos de automóveis.Como estratégia de enfrentamento, Curi citou a Operação Torniquete, realizada diariamente em todo o estado, com foco ampliado na Baixada Fluminense. Duque de Caxias lidera o ranking desse crime no Rio, com 1.232 roubos de veículos comunicados entre janeiro e novembro do ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública.Levantamento interno da Polícia Civil, baseado em apenas uma marca de carro elétrico, apontou 54 casos na Baixada Fluminense ao longo do último ano, sendo 13 em Duque de Caxias.Em nota, a Light afirmou que “em parceria com as forças de segurança, combate diariamente fraudes e irregularidades em sua rede elétrica” e acrescentou que “está sempre atenta a novos métodos de irregularidades e vem identificando o uso indevido da rede para o abastecimento de veículos elétricos”. A concessionária informou ainda que avalia estratégias técnicas e operacionais para lidar com a prática.
