Cientistas desenvolvem spray que estanca hemorragias em menos de um segundo; VEJA

Tecnologia experimental descrita em revista científica busca ampliar chances de sobrevivência em atendimentos de emergência

Neste sábado (07/02), pesquisadores anunciaram o desenvolvimento de um spray capaz de conter sangramentos intensos em menos de um segundo, resultado de estudos conduzidos no Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia, na Coreia do Sul. A proposta foi apresentada em publicação científica e detalha um material aplicado como pó que atua sobre ferimentos graves para impedir perda de sangue em curto intervalo. As informações são do O GLOBO.Perdas sanguíneas sem controle podem levar à morte em poucos minutos, cenário que motivou a equipe a buscar alternativa para reduzir esse intervalo crítico. O trabalho foi conduzido por especialistas do instituto sul coreano e descrito na revista Advanced Functional Materials, com divulgação inicial feita pela própria instituição e replicada por meios internacionais dedicados a ciência e tecnologia.O produto atua ao entrar em contato com o sangue e formar um gel maleável que se molda à área lesionada, contribuindo para interromper o fluxo. A transformação acontece quase instantaneamente, fator que pode elevar as chances de sobrevivência em casos de trauma severo. O desenvolvimento contou com participação de professores, pesquisadores e liderança acadêmica da instituição, incluindo especialistas responsáveis pela investigação do composto.Segundo o grupo, a solução foi planejada sobretudo para cenários de emergência, como missões de resgate, ambientes militares e atendimentos antes da chegada ao hospital. Nessas situações, conter o sangramento de modo imediato pode definir a possibilidade de transferência segura para atendimento médico completo. Estudos também apontam que hemorragias figuram entre causas mais relevantes de mortes evitáveis após lesões graves, especialmente em locais isolados ou regiões de conflito.O gel é originado de um composto denominado AGCL, elaborado com materiais naturais. Entre os elementos empregados estão alginato proveniente de algas marrons, goma gelana obtida por fermentação bacteriana e quitosana derivada de estruturas externas de crustáceos e insetos. Enquanto alginato e goma estruturam a base do gel, a quitosana favorece a atração de células sanguíneas e plaquetas, acelerando o processo de coagulação. O material pode absorver até sete vezes o próprio peso em sangue, característica relevante para hemorragias intensas.Além de interromper sangramentos, o composto apresenta propriedades antibacterianas naturais e pode ser mantido por até dois anos em temperatura ambiente, preservando eficiência mesmo em locais quentes ou úmidos conforme divulgação institucional. A proposta inclui uso por militares e profissionais de emergência quando curativos convencionais não oferecem resposta suficiente ou demandam mais tempo para conter o fluxo.Pesquisadores também mencionam possibilidade de aplicação ampliada em contextos civis no futuro, caso a tecnologia avance em etapas industriais e obtenha autorizações regulatórias. “A essência do bem-estar moderno é minimizar a perda de vidas humanas”, disse Kyusoon Park, cientista do KAIST que participou do desenvolvimento do spray, em declaração publicada no site oficial do instituto. “Iniciei a pesquisa com um senso de missão para salvar pelo menos mais um soldado. Espero que essa tecnologia seja usada como uma ferramenta para salvar vidas tanto na defesa nacional quanto na área médica privada.”Até agora não existe previsão oficial de disponibilização comercial, e os testes continuam em andamento para avaliar desempenho e segurança antes de eventual adoção prática.

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