CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e sessão termina em briga; veja vídeo
Decisão envolvendo filho de Lula provoca tensão e confusão entre deputados
A CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido foi apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) com base em representação da Polícia Federal e tem como objetivo investigar possível ligação do empresário com repasses apurados no esquema de fraudes envolvendo o INSS.Logo após a aprovação, a sessão foi marcada por confusão. Deputados da base governista reagiram ao resultado e houve confronto físico no plenário. As informações são do UOL.Segundo relatos, o deputado Rogério Correia (PT-MG) avançou contra o relator Alfredo Gaspar. Em seguida, Correia empurrou Luiz Lima (Novo-RJ), que reagiu com socos. A sessão precisou ser interrompida e a transmissão da TV Senado foi suspensa.O deputado Duarte Jr. (PSB-MA) descreveu o momento como uma situação de forte tensão. A Polícia Legislativa interveio para conter os ânimos, mas os trabalhos ficaram comprometidos.A votação ocorreu de forma simbólica. De acordo com a presidência da comissão, dos 31 parlamentares presentes, sete votaram contra o requerimento. Já integrantes da base afirmam que 14 se manifestaram contrários à quebra dos sigilos.O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) questionou o resultado anunciado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), alegando inconsistência na contagem. Viana respondeu que o placar foi proclamado de maneira regular. Pimenta informou que pretende levar a contestação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).As decisões de quebra de sigilo aprovadas por uma CPMI têm caráter obrigatório e independem de autorização judicial. Pela Constituição, a comissão possui poderes de investigação semelhantes aos das autoridades judiciais nesse aspecto.De acordo com a Polícia Federal, o nome de Lulinha aparece três vezes nos autos. Um ex-sócio de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirmou que ele seria “sócio” do lobista em projeto ligado à cannabis medicinal. Também mencionou o recebimento de R$ 25 milhões em um negócio de “kits de dengue” e uma suposta “mesada” de R$ 300 mil.Outro ponto citado envolve a emissão de passagens aéreas sob o mesmo localizador para Lulinha e Roberta Luchsinger, o que, segundo a PF, indicaria aquisição conjunta. Roberta foi alvo da operação “Sem Desconto” e é apontada como integrante do núcleo político do grupo investigado.Há ainda mensagens interceptadas em que o Careca do INSS orienta um funcionário a pagar R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. Para o relator, a PF interpreta a expressão como “referência direta” a Lulinha. O requerimento menciona a hipótese de atuação como “sócio oculto”.Em entrevista, o presidente Lula declarou que o filho “vai pagar o preço se estiver envolvido”. Segundo ele, caso haja comprovação de irregularidade, Lulinha deverá responder pelos atos.O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que Lulinha não possui relação com as fraudes investigadas e que nunca foi sócio do chamado Careca do INSS.
