Deputado do PT afirma ser maconheiro e sai em defesa do plantio para venda

O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) chamou atenção durante sua participação na ExpoCannabis, em São Paulo, ao comentar abertamente seu posicionamento sobre o uso e a criminalização da maconha no Brasil. Em entrevista à revista on-line Breeza, ele reforçou que vê a proibição como um problema racial e não evitou termos diretos ao falar sobre […]

O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) chamou atenção durante sua participação na ExpoCannabis, em São Paulo, ao comentar abertamente seu posicionamento sobre o uso e a criminalização da maconha no Brasil. Em entrevista à revista on-line Breeza, ele reforçou que vê a proibição como um problema racial e não evitou termos diretos ao falar sobre o tema.Ao ser questionado sobre sua relação com a planta, o parlamentar foi categórico. “Eu não fumo cannabis, eu fumo maconha. Não sou canabizeiro, sou maconheiro”, disse, destacando que, para ele, “a planta é maravilhosa” e que a forma como o país trata o assunto “sempre teve caráter absolutamente racista”.Freitas ainda revelou ter tentado cultivar a erva em casa e contou que o experimento não foi muito longe. Ele afirmou que já plantou “umas sementinhas”, mas perdeu as mudas após viajar. Agora, a ideia é criar uma associação de cultivo medicinal, com participação de pessoas que passaram pelo sistema prisional.O parlamentar defendeu que figuras públicas abandonem o medo de assumir seus posicionamentos. “É muito importante os parlamentares botarem a cara no sol. Tem de parar com essa mania de ‘traguei, mas não fumei’, ‘fumei, mas não traguei’, ‘traguei, mas não chapei’. Para com isso, filho”, declarou. Em seguida, criticou quem tenta agradar apenas parte do eleitorado: “Qual é o problema? Está jogando para a torcida? Se for jogar para a torcida, você vai estar sempre seguindo uma manada e muitas manadas, como a do bolsonarismo, rumam para o precipício”.Freitas também defendeu que o mercado da cannabis inclua pessoas negras. “Vamos poder fumar nossa maconha na cara da classe média branca, hipócrita, de Curitiba. Isso vai ser uma vitória”, afirmou, dizendo que, enquanto isso não ocorre, “a maconha que fumamos vai enriquecer outros bolsos e outras políticas”.Ele reforçou a crítica ao cenário atual ao comentar o evento. “A gente tem que começar a ganhar dinheiro com o plantio da maconha, eventos como este daqui [a ExpoCannabis] têm de ser mais negro, enegrecido, denegrido. Enquanto isso não ocorrer, a maconha que fumamos vai enriquecer outros bolsos e outras políticas”, disse.As declarações vêm dias depois de o deputado se envolver em uma briga de rua, registrada em vídeo. Freitas trocou agressões físicas e alegou ter sido vítima de racismo. O caso repercutiu entre aliados, incluindo o presidente do PT, Edinho Silva.Nas redes sociais, o deputado disse ter fraturado o nariz no confronto e descreveu o que motivou a reação. “Infelizmente, o motivo foi o mesmo que me fez brigar na rua desde criança: racismo, humilhação, injúria, violência, agressão. Eu não aprendi a abaixar a cabeça. Não me orgulho de estar brigando na rua, jamais”, afirmou.

Carregar Mais Notícias