Dor de crescimento: entenda o que é e como aliviar o desconforto comum entre crianças
Condição atinge até 37% dos pequenos e, embora não seja uma doença, provoca dores reais que merecem acolhimento
Recentemente, especialistas explicaram o que está por trás da chamada dor de crescimento, um desconforto que afeta crianças e adolescentes entre 3 e 12 anos e preocupa muitas famílias. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o problema é caracterizado por dores recorrentes nos membros, especialmente nas pernas, que surgem com mais frequência no fim do dia ou durante a noite. Dependendo do país, pode alcançar entre 3% e 37% do público infantil. As informações são do O Globo.Apesar do nome, o termo “dor de crescimento” não descreve com precisão o que acontece. O aumento do corpo não provoca dor física, e o fenômeno não está necessariamente relacionado aos períodos em que as crianças crescem mais rápido. A expressão foi usada pela primeira vez em 1823, na obra “maladies de la croissance”, e acabou popularizada por falta de um termo mais adequado.A pediatra Adriana Fonseca, do Departamento Científico de Reumatologia da SBP, explica que, mesmo sendo uma denominação imprecisa, ela ajuda a identificar uma situação bastante frequente. “É um termo inadequado, mas já consagrado, que eu até nem acho ruim, porque facilita sabermos a realidade da condição, que é super frequente. É bom porque é um termo também que tranquiliza os pais e as crianças de que de vai se resolver com o tempo”, afirma.Segundo a SBP, trata-se de uma condição benigna, sem ligação com doenças. A dor é classificada como idiopática, ou seja, sem causa conhecida. “Várias causas têm sido propostas, incluindo fatores anatômicos, psicológicos, vasculares e metabólicos, mas provavelmente representa uma síndrome de amplificação da dor ou síndrome de sensibilização central”, diz o documento da entidade.Os desconfortos geralmente atingem as pernas, coxas, canelas ou panturrilhas, e não se concentram nas articulações. A intensidade varia: podem ser dores breves, que desaparecem em minutos, ou episódios mais fortes, capazes de acordar a criança à noite. Normalmente surgem após dias de brincadeiras mais ativas.Fonseca reforça que é importante validar o que a criança sente. “Não devemos minimizar, porque mesmo que não haja uma doença, é uma coisa que dói mesmo. Na maioria das vezes, só uma massagenzinha, só de você tranquilizar a criança, acolher, já melhora”, orienta a pediatra.A SBP recomenda medidas simples para aliviar o desconforto, como massagem leve e aplicação de calor local, por exemplo, uma bolsa de água quente, com cuidado para evitar queimaduras. Se a dor persistir, é possível recorrer a analgésicos como paracetamol, dipirona, ibuprofeno ou naproxeno, conforme orientação médica.O pediatra Daniel Becker acrescenta que o acolhimento é fundamental. “Pode ser muito intensa, pode fazer a criança chorar, mas melhora rapidamente com massagem, com analgésico, às vezes um placebo, uma água com alguma gotinha de alguma coisa que dê um gostinho, um chazinho”, explica.O diagnóstico costuma ser feito por exclusão, após o profissional descartar outras causas possíveis. “Não existe um critério de diagnóstico definido. O diagnóstico é feito por exclusão e não há alterações específicas em exames laboratoriais e de imagem, sendo necessário descartar outras causas como trauma e artrite. Entretanto, as características clínicas, anteriormente citadas, são bastante consistentes na maioria dos pacientes”, orienta a SBP.Sinais de alerta exigem atenção médica imediata, como:Becker reforça que, na ausência desses sinais, não há motivo para preocupação. “A maior parte das dores do crescimento é passageira, leve e melhora com um tratamento simples e você não precisa se preocupar. Agora, com esses sinais de alerta, é sempre importante levar ao médico para ser examinada e possivelmente fazer exames. Na dúvida, não custa nada procurar o seu pediatra”, conclui o especialista.
