Ex-colaboradora do Detran é condenada a mais de 4 anos de prisão por racismo contra Vini Jr.
Justiça do Maranhão considerou que declarações ofensivas atingiram toda a coletividade negra.
Uma ex-colaboradora terceirizada do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão foi condenada pela Justiça do Maranhão a 4 anos e 2 meses de prisão em regime fechado por crime de racismo. A decisão foi tomada após análise de conteúdos divulgados por ela nas redes sociais, considerados ofensivos e discriminatórios contra pessoas negras.A sentença foi determinada pelo juiz Diego Duarte de Lemos, responsável pelo caso na comarca de São Luís Gonzaga do Maranhão. O processo teve início após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Maranhão, que apontou a gravidade das manifestações feitas pela acusada.Segundo os autos, a mulher — identificada como Maria Gabriele Mesquita da Silva — publicou mensagens escritas e gravações em vídeo com declarações consideradas racistas. Parte do material incluía comentários depreciativos dirigidos à população negra e opiniões negativas sobre relacionamentos entre pessoas de diferentes raças.“Homem feio é bicho que não presta para nada, ainda mais preto”; “preto é bicho amostrado”; “eu não namoro com preto nem para ganhar dinheiro”; “vocês podem até me ver com homem feio, mas com preto nunca”.Durante a apuração, testemunhas relataram que algumas das postagens teriam sido influenciadas por comentários envolvendo figuras públicas, citando a influenciadora Virginia Fonseca e o jogador Vinícius Júnior. Em um dos vídeos analisados pela Justiça, a acusada mencionou o atleta em tom considerado ofensivo ao tratar de questões raciais.Na decisão judicial, foi ressaltado que o crime de racismo não depende da identificação de uma vítima individual, já que atinge um grupo inteiro. O entendimento do magistrado foi de que o conteúdo divulgado reforçou estereótipos negativos e preconceitos, o que fundamentou a pena aplicada em regime fechado.
