Falhas em sistemas do INSS causaram prejuízo milionário e travaram fila de requerimentos; VEJA
Relatório aponta impacto de R$ 233 milhões e mais de 1,7 milhão de processos parados
Falhas nos sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social causaram prejuízo de aproximadamente R$ 233,2 milhões entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026 e impediram a análise de cerca de 1,75 milhão de requerimentos, contribuindo para o aumento da fila de benefícios no país. O relatório foi apresentado em 17 de março, semanas antes da demissão do então presidente do órgão, em Brasília. As informações são do O Globo.O documento atribui os problemas a instabilidades nos sistemas mantidos pela Dataprev, que afetaram diretamente a produtividade das centrais responsáveis pela análise dos pedidos. O crescimento da fila, que chegou a 2,7 milhões de solicitações em março, esteve entre os fatores que levaram à saída do dirigente.De acordo com a nota técnica, o prejuízo financeiro foi calculado com base na remuneração de servidores que ficaram impossibilitados de trabalhar durante as falhas. “Considerando a remuneração média dos servidores dos cargos de Técnico e Analista do Seguro Social que atuam nas Ceabs, estima-se que os incidentes sistêmicos analisados geraram impacto financeiro potencial de aproximadamente R$ 233,2 milhões no período analisado”, detalha o texto.Além da perda financeira, o relatório indica que cerca de 15,72% da capacidade produtiva das centrais foi comprometida ao longo de 15 meses. O impacto afetou diretamente o andamento das análises e contribuiu para o acúmulo de pedidos pendentes.O documento também destaca que os problemas tecnológicos ultrapassam a esfera operacional. “Tais dados demonstram que os incidentes tecnológicos geram impactos que extrapolam o campo operacional, produzindo também efeitos relevantes sobre a eficiência do gasto público e sobre a capacidade institucional de resposta às demandas da sociedade”, afirma a nota.O então presidente do INSS ocupava o cargo havia 11 meses e assumiu a função em meio a investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A dificuldade em reduzir o tempo de espera por benefícios intensificou a pressão sobre a gestão.
