Funcionárias de hospital são flagradas fazendo compras e pilates durante horário de trabalho; veja VÍDEO

Levantamento do SP2 mostra profissionais em atividades pessoais enquanto pacientes enfrentam longa espera

Três ginecologistas do Complexo Hospitalar Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, foram flagradas ao longo de um mês de apuração desenvolvendo atividades particulares em períodos que deveriam ser destinados ao atendimento ambulatorial. A apuração considera registros obtidos na cidade entre novembro e dezembro deste ano. As informações são do g1 SP.A escala fixada na recepção do ambulatório confirma Márcia Kamilos, Silmara Fialho e Mara Gomes como integrantes da equipe de ginecologia. Mesmo assim, diversos usuários relatam dificuldade extrema para conseguir marcação de consulta, como no relato de Rita de Cássia, que há mais de seis meses tenta atendimento sem sucesso e ouviu a mesma resposta repetidas vezes: “Ah, moça, não está tendo vaga para ginecologista. A gente está sem. A gente está sem médico, na verdade, né?”A investigação jornalística identificou que Márcia Kamilos está afastada oficialmente desde dezembro de 2024 com atestado de 365 dias, fundamentado em “capacidade laborativa prejudicada”. Apesar disso, a reportagem conseguiu marcar consulta com a profissional em clínica particular nos Jardins. Registros públicos e publicações apontam participação em congressos, aulas e palestras ao longo de 2025, inclusive em capitais diferentes do país.No caso de Silmara Fialho, a escala indica presença às segundas das 7h às 15h e às quartas das 7h às 14h. O acompanhamento realizado pela TV Globo constatou saída antecipada no dia 17 de novembro, chegada com atraso no dia 19 e compromissos pessoais, como compras na zona cerealista, durante o período em que a jornada deveria ser cumprida. Nos dias 24 e 26 de novembro, a unidade informou por telefone que “essa semana não vai atender”.Com relação a Mara Gomes, o roteiro funcional prevê jornadas de 10 horas às segundas e quartas e de seis horas às sextas. No dia 19 de novembro, a equipe encontrou a médica retornando ao ambulatório por volta de 12h10 após cerca de três horas fora do hospital, período que incluiu aula de pilates e almoço. Em 24 de novembro, registros apontam saída após bater o ponto para realizar pilates em São Caetano antes do retorno ao atendimento vespertino.Informações do Portal da Transparência indicam que, de janeiro a outubro de 2025, as três profissionais receberam montante superior a R$ 210 mil. A posição das profissionais também foi solicitada. Márcia Kamilos informou que a direção do hospital conhece sua situação e a documentação apresentada. A reportagem tentou contato por telefone e mensagens com Silmara Fialho e Mara Gomes, sem resposta até a última atualização.A Secretaria da Saúde afirmou em nota que determinou apuração imediata por parte da organização social Albert Einstein, responsável pela gestão da unidade, e destacou que atitudes incompatíveis com a ética profissional podem resultar em sanções administrativas, trabalhistas e legais. A organização informou que iniciou implantação de controles internos adicionais, incluindo registro de ponto por biometria facial.Veja o vídeo:

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