Gastos com viagens do governo Lula passam de R$ 7 bilhões em três anos, aponta Transparência

Mesmo com leve queda em 2025, despesas seguem acima da média de gestões anteriores e concentram-se em viagens nacionais

Os gastos do governo federal com viagens a serviço voltaram ao centro do debate após dados do Portal da Transparência revelarem um montante bilionário nos primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde 2023, ministérios e órgãos federais somaram R$ 7 bilhões em despesas com deslocamentos oficiais.O valor considera passagens, diárias e custos operacionais, mas não inclui viagens realizadas diretamente pelo presidente. Ainda assim, o número chama atenção por superar o total gasto nos seis anos anteriores a 2023, período que engloba governos diferentes e os anos mais críticos da pandemia.Em 2025, os gastos chegaram a R$ 2,35 bilhões. O número representa uma leve redução de 1% em relação a 2024, quando foi registrado o maior valor da série histórica recente, com R$ 2,37 bilhões. Apesar da queda, a média do atual mandato segue acima das gestões anteriores.Levantamentos do Portal da Transparência mostram que, entre 2015 e 2025, a União desembolsou R$ 16,1 bilhões com viagens a serviço. O ano de 2020, marcado pelas restrições da pandemia de Covid-19, teve o menor gasto do período, com R$ 545 milhões.A maior parte das despesas de 2025 foi direcionada a viagens dentro do Brasil. Ao todo, deslocamentos nacionais consumiram R$ 2,079 bilhões, enquanto viagens internacionais ficaram em torno de R$ 276 milhões. São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pará — que sediou a COP30 em novembro — lideraram a lista de destinos mais visitados.No ranking dos órgãos que mais gastaram em 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública aparece em primeiro lugar, com R$ 396 milhões. Na sequência estão Defesa (R$ 311 milhões), Educação (R$ 304 milhões) e Meio Ambiente e Mudança do Clima (R$ 126 milhões).Sobre os números, o Ministério do Meio Ambiente detalhou os gastos em nota oficial. “Do montante mencionado acima, sob administração Direta do MMA foram gastos aproximadamente R$ 10,2 milhões. O uso desta quantia foi para coordenação, articulação institucional e participação em agendas técnicas e estratégicas fundamentais para a formulação de políticas públicas”, informou a pasta.O órgão também destacou que o maior volume de empenho foi do Ibama, somando R$ 90,9 milhões, “pela necessidade operacional e descentralizada das atividades de campo do instituto”. Segundo o ministério, “Foram quase R$ 50,4 milhões aplicados nas ações em áreas federais prioritárias e R$ 24,8 milhões na fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais”.Ainda de acordo com a nota, o ICMBio empenhou cerca de R$ 43,1 milhões, com foco na gestão de unidades de conservação e ações presenciais em áreas remotas. Os demais ministérios citados não se manifestaram até o fechamento da reportagem, e o espaço segue aberto.

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