Governo eleva imposto de importação: celulares e outros itens ficarão mais caros; veja
Ministério da Fazenda reajusta tarifas sobre mais de mil itens para reforçar arrecadação e tentar proteger indústria
A decisão partiu de Brasília e impacta diretamente o bolso de empresas e consumidores. O Ministério da Fazenda elevou o imposto de importação de mais de mil produtos e as alíquotas podem chegar a 25%. A medida atinge desde smartphones, freezers e painéis de LCD e LED até máquinas e equipamentos utilizados pela indústria. As informações são da VEJA.O movimento ocorre em meio à pressão sobre as contas públicas. No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica comandada por Fernando Haddad busca ampliar receitas para cumprir a meta de superávit primário. A expectativa do governo é arrecadar cerca de R$ 14 bilhões adicionais ainda neste ano.A justificativa oficial aponta que o aumento das importações estaria em níveis capazes de “ameaçar elos da cadeia produtiva” e provocar regressão tecnológica. A estratégia, segundo a Fazenda, daria fôlego à produção nacional diante da concorrência externa.Na prática, porém, há questionamentos. No setor de celulares, por exemplo, o país mantém linhas de montagem, mas depende fortemente de componentes importados. Sem uma cadeia produtiva completa e competitiva globalmente, o encarecimento pode atingir o consumidor final sem necessariamente consolidar um polo tecnológico robusto.O impacto também recai sobre bens de capital, como máquinas industriais. Empresas que buscam modernizar fábricas ou ampliar operações poderão enfrentar custos maiores, o que pode reduzir competitividade e pressionar preços.Embora apresentada como medida de política industrial, a decisão tem forte peso fiscal. Tarifas funcionam como impostos indiretos que acabam repassados ao valor final dos produtos. Em um cenário de renda apertada e orçamento limitado para cortes estruturais, o aumento surge como solução rápida, mas com efeitos distribuídos entre empresas e consumidores.
