Homem é acusado de usar IA e bots para fraudar streaming e lucrar mais de R$ 40 milhões

Um homem identificado como Michael Smith, natural da Carolina do Norte, se declarou culpado por um esquema de fraude envolvendo músicas criadas com inteligência artificial e reproduções falsas em plataformas de streaming. O caso foi divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pode levar o acusado a até cinco anos de prisão.

Um homem identificado como Michael Smith, natural da Carolina do Norte, se declarou culpado por um esquema de fraude envolvendo músicas criadas com inteligência artificial e reproduções falsas em plataformas de streaming. O caso foi divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pode levar o acusado a até cinco anos de prisão.Segundo as autoridades, Smith teria produzido centenas de milhares de faixas com o uso de IA e utilizado programas automatizados — conhecidos como bots — para reproduzi-las bilhões de vezes. O objetivo era simular o comportamento de ouvintes reais e, assim, gerar pagamentos indevidos de royalties.A fraude teria ocorrido em plataformas como Spotify, Apple Music, Amazon Music e YouTube Music. De acordo com a investigação, o esquema rendeu mais de 8 milhões de dólares (cerca de R$ 42 milhões) ao acusado.Em comunicado, o procurador federal Jay Clayton afirmou que, embora as músicas e os ouvintes fossem falsos, o dinheiro obtido era real — e teria sido desviado de artistas e compositores legítimos.Investigações apontam que Smith operava mais de mil contas em serviços de streaming, cada uma reproduzindo centenas de músicas diariamente. O modelo permitia ganhos estimados em milhares de dólares por dia, acumulando mais de 1 milhão de dólares por ano.Grande parte das faixas utilizadas no esquema teria sido gerada por inteligência artificial, embora também houvesse músicas de artistas reais incluídas nas contas.O suspeito foi preso em setembro de 2024 e aguarda sentença, marcada para o dia 29 de julho.O caso reacende discussões sobre o impacto da inteligência artificial na indústria da música. O uso crescente da tecnologia tem levantado preocupações sobre fraudes, direitos autorais e a dificuldade de distinguir conteúdos gerados por IA de produções humanas.Dados recentes indicam que a maioria dos usuários não consegue diferenciar músicas reais de criações artificiais, enquanto milhares de faixas geradas por IA são adicionadas diariamente às plataformas.Diante desse cenário, empresas como o Spotify têm adotado medidas para combater reproduções artificiais e proteger a distribuição de royalties, incluindo sistemas de detecção e novas regras de transparência sobre o uso de inteligência artificial.

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