Influencers largam carreira na internet e voltam para o CLT: ‘Instabilidade financeira’
Influencers largam carreira na internet após sofrerem com a instabilidade financeira; especialistas analisam mudança de carreira
Segundo reportagem publicada pela Marie Claire, um movimento crescente tem chamado atenção: influenciadoras digitais estão deixando as redes sociais e voltando ao trabalho com carteira assinada. Muitas delas relataram que, apesar da visibilidade e da autonomia no ambiente digital, havia meses em que “praticamente não ganhavam nada”, o que tornou a instabilidade financeira insustentável. Esse foi o caso de Gabrielle Gimenes e Maíra Post Müller, que largaram a carreira digital.A matéria destaca que, ao optar pelo regime CLT, essas criadoras de conteúdo buscam mais segurança e previsibilidade. Além do salário fixo, benefícios trabalhistas e rotina estruturada pesaram na decisão de abrir mão, ao menos parcialmente, da vida de likes, engajamento e parcerias comerciais, em favor de uma estabilidade que o mercado digital nem sempre consegue oferecer.Para entender melhor esse fenômeno, conversamos com Rosa Benhoeft, especialista em gestão de pessoas, e Claudio Riccioppo, especialista em gestão de carreira e recolocação profissional. Segundo Benhoeft, a vida luxuosa vista nas redes sociais, o trabalho home office e a liberdade são atrativos para diversos jovens, que decidem se jogar na carreira de influenciador. “Muitos jovens encontram na criação de conteúdo uma forma de expressão autêntica e de construção de comunidade que o trabalho tradicional nem sempre oferece. A possibilidade de monetizar uma paixão, seja moda, gastronomia, fitness ou qualquer outro nicho, é extremamente sedutora”, disse ela.Além disso, o regime CLT vem sendo ressignificado nos últimos anos. Segundo Rosa, diversos trabalhadores optam por trabalhos mais livres para evitar a cobrança e a falta de qualidade de vida que alguns empregos CLTs oferecem: “Salários que não acompanham o custo de vida, ambientes corporativos tóxicos e poucas perspectivas de crescimento rápido fazem com que a carreira digital pareça uma alternativa mais promissora”.Para Claudio Riccioppo, é preciso analisar o cenário financeiro e profissional de cada um. Para alguns, a liberdade pode ser uma alternativa positiva para aqueles que conseguem se organizar mas, para outros, a falta de estabilidade pode se tornar um pesadelo.”Há diversos benefícios como flexibilidade de horário, possibilidade de escalar renda quando as coisas dão certo, trabalhar inovando em algo que lhe é apaixonante, ou seja ganhando dinheiro com o que ama, mas também há a possibilidade de perdas importantes como a falta de estabilidade financeira, falta de benefícios da CLT como FGTS, 13º, férias, INSS… É um estilo de vida para quem é organizado financeiramente e possui emocional para eventuais momentos de adrenalina nas finanças”, disse ele.Porém, é necessário entender que a internet nem sempre irá favorecer o trabalho do influencer. Há momentos em que seu engajamento ficará mais baixo ou que as famosas publis não irão bater na porta, o que pode causar uma baixa inesperada na renda.”É muito difícil se manter em alta na internet por muito tempo e diferentemente da carreira pela CLT que ao passar do tempo te torna mais experiente, na internet há o desgaste da imagem e novos entrantes podem acabar tornando o seu conteúdo desinteressante”, explicou.Para ambos os profissionais, o principal fator é o financeiro. “A instabilidade financeira é o fator número um. Muitos criadores relatam meses em que ganham praticamente nada, seguidos de meses com renda razoável, mas sem previsibilidade. Essa montanha-russa financeira dificulta qualquer planejamento de vida: comprar um imóvel, fazer uma viagem, ou simplesmente ter tranquilidade para dormir sem se preocupar com as contas do mês seguinte”, diz Rosa.Claudio acrescenta que alguns não conseguem lidar com a pressão da web: “A internet não traz apenas reconhecimento, é necessário conviver diariamente com haters tendo um certo desgaste emocional”.
