Ísis Valverde lança livro e se emociona com memórias da avó

Isis Valverde lanca livro e se emociona com memorias da avo

Desde os 12 anos de idade, Ísis Valverde coloca suas emoções, reflexões, inquietudes e inspirações no papel. Literalmente. Embora hoje, aos 32, a atriz use o smartphone e o notebook para fazer o mesmo, foi de um caderno que ela passou, manualmente, seus inúmeros textos poéticos para o computador.

O resultado é o livro Camélias Em Mim, lançado na noite desta terça-feira (17) na Livraria da Travessa, no Barra Shopping, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

"Ao longo do tempo, ao longo da vida, você vai acumulando retalhos de emoções, de flashes, de sentimentos. Eu posso estar em um lugar e passa um passarinho, me dá um estalo e eu começo a escrever. Sempre fiz isso, por gosto, por prazer, nunca foi 'agora eu vou escrever porque'... isso nunca existiu. E aí as pessoas começaram a me fazer essa pergunta mágica: por que você não lança um livro? Ficaram nessa insistência. Até que eu falei: cara, eu acho que vou me dar essa chance", contou.

A decisão aconteceu durante um sarau na casa do falecido jornalista Jorge Bastos Moreno.

"Fizemos um encontro na casa dele. Lá estava o Pedro Bial, a Patrícia Kogut, Mariana Ximenes, uma galerinha. Eles começaram um sarauzinho de poemas e eu, bem louca falei: 'eu tenho um texto meu, posso ler?' Aí li. Quando eu terminei, o Jorge perguntou se era meu. Respondi que sim. Ele disse que era bom e eu agradeci. O Bial disse que era legal. E depois o Jorge falou para mim: 'você vai fazer um livro'. Eu lia às vezes para os atores. Eu adoro ler, adoro essa coisa de oratória, gosto de ficar lendo", contou.

Maternidade e saudades da avó

Ísis usou uma camisa com a inscrição "Melhor mãe", em inglês. E falou que tem se dedicado com afinco a Rael, de um aninho, fruto de seu casamento com André Resende.

"Pelo menos eu tento ser a melhor mãe!"

A atriz ficou com os olhos marejados ao falar sobre sua avó. O livro é dedicado à ela, vítima de um câncer de mama aos 74 anos.

"O livro sempre foi para a minha avó, meu filho chegou logo depois, mas meu filho não teve ligação com o livro. Obviamente os textos foram escritos antes e depois dele nascer. Isso é da vivência que você tem.

A atriz explicou a escolha do título de seu livro.

"Minha avó tinha uma paixão por flores e mantinha o jardim mais lindo e florido que já vi na vida. Relutei muito para voltar à casa dela, só consegui dois anos depois do falecimento. Foi horrível porque a casa estava toda destruída, o jardim estava seco, morto, tudo morreu, as folhas secas. E eu falei: 'meu Deus, acabou'. Lembrei que havia uma árvore de Camélias brancas, exatamente como essa Camélia da capa do livro. E aí eu olhei no meio daquele matagal a árvore de Camélias brancas era a única coisa que estava lá. Repleta de flores. Chorei por meia hora e escrevi o texto e dediquei o livro a minha avó, Maria Nilce Senador."

Centopéia foi sua primeira inspiração

Qual a relação entre uma centopéia e um trem? Foi exatamrnte o que Ísis Valverde escreveu, aos 12 anos, em seu primeiro texto. Um sucesso! Ao menos entre seus familiares.

"Eu perdi esse texto, mas ele rodou a família inteira. No livro, reuni o filete do filete, uma edição de todos os textos que eu já escrevi ao longo de toda essa vida. Eu nunca sentei para escrever, como rotina de escritor. Sou atriz, chego em casa e vou decorar texto. As vezes vou tomar um banho, se der. Escrevo em qualquer lugar. Eu amo escrever no laptop, mas os textos dos 20 anos eu passei do caderno, passei para o computador."

Acidente foi grave

Em 31 de janeiro de 2014, Ísis sofreu um grave acidente de carro. Ela voltava de uma festa com a prima, Maiara, que dirigia, e um amigo, o produtor de festas Gabriel Maciel. Na altura do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o carro bateu em um barranco e capotou. Isis, que dormia no banco traseiro, foi a única que se feriu com mais gravidade.

Ela teve fratura na primeira vértebra da coluna cervical e ppr 100 dias usou um colete para proteção. Neste periodo, ficou reclusa.

"Quando eu sofri meu acidente, quebrei meu pescoço, tive um baque muito grande na minha vida porque eu achei que... o médico falou para mim: 'agradeça a alguém que você acredita porque eu não sei como é que você está aqui, bem'. Aquilo mexeu muito com a minha cabeça. Eu fui para Aiuruoca (cidade mineira onde nasceu e foi criada) e lá comecei a editar os textos. Então, nesse tempo que eu fiquei 100 dias com o colar, fiquei escrevendo numa casinha no interior de Minas", lembrou. 

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