Kyra Gracie revela assédio no jiu-jitsu e critica sistema do esporte: ‘Imagina você peladinha no meu kimono’
Atleta e empresária publicou um desabafo intenso nas redes sociais, em que também criticou patrocinadores, instrutores e medalhistas
A pentacampeã mundial de jiu-jitsu Kyra Gracie revelou casos de assédio que viveu dentro da modalidade. Em um relato intenso divulgado nas redes sociais, a atleta e empresária recordou uma situação específica e criticou patrocinadores, instrutores e outros envolvidos no meio da arte marcial. Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do TerraKyra iniciou o vídeo afirmando que, durante anos, permaneceu calada sobre o que viveu e testemunhou dentro do cenário competitivo do jiu-jitsu. A possibilidade de relatar, então, foi ‘libertadora’ para a multicampeã. Sem citar o nome do envolvido, ela falou sobre um caso que sofreu quando tinha entre 18 e 19 anos. “Imagina você peladinha dentro do meu kimono Keiko. Um senhor de idade falando isso para uma menina. E essa menina era eu. Ele veio me abordar, dizendo que queria me patrocinar, e eu congelei”. “Quando estava nos eventos e ele aparecia, eu me escondia, congelava de novo. Ele errou, mas eu me calei. Guardei isso até agora porque o ambiente silencia muito as mulheres”, lamentou. Segundo Kyra, o sobrenome Gracie, da família que difundiu a modalidade no Brasil, não impediu que ela não passasse por situações constrangedoras e de assédio. “Pensam que por ser da família, estou blindada. Tantos tios e primos faixas-pretas. Tenho certeza de que se eu não fosse da família Gracie, seria muito pior”. Ela revelou, ainda, que o homem envolvido em seu relato pessoal segue atuando no esporte como patrocinador de eventos e atletas mulheres. “O assédio que acontece nos bastidores com meninos e meninas não é uma exceção, é um problema do sistema todo”. “A maioria das mulheres do jiu-jitsu já passaram por algo semelhante. E o ambiente da competição é, de fato, muito perigoso para meninas e mulheres. Salvo pouquíssimas exceções”, apontou. A atleta ainda criticou a ação das entidades representantes da modalidade no combate ao assédio: “As federações não seguem nem as regras, não têm eleição nem nada. Dão mau exemplo, não tem canais de denúncia. A gente finge que tem uma federação que representa o esporte, mas de fato não tem”. “O que eles querem é aumentar o número de inscritos e o dinheiro na conta. Não querem cuidar do que realmente importa. Quantos casos, ao longo de toda a minha trajetória, vi que foram abafados? Sei de muitos, campeões mundiais, Hall da Fama. Não são poucos”. O afastamento de Kyra Gracie do cenário competitivo se deu, também, para a proteção das filhas: “Me afastei porque é um meio que, como mulher, não me sinto feliz, não quero levar as minhas filhas e não me sinto confortável. Tive que buscar uma outra forma de continuar no jiu-jitsu, porque eu amo”. “Acredito que o caráter vale muito mais que medalha, não estou nem aí pra medalhas que não vêm acompanhada de bom caráter. Medalhas cheias de ego e atitudes deploráveis que eu não quero pôr perto”, finalizou. Em caso de violência contra a mulher, denuncieViolência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.Saiba mais sobre como denunciar aqui.
