Maioria dos brasileiros convive com agressões verbais dentro da família, aponta levantamento

Estudo nacional mostra frequência elevada de comentários depreciativos e revela desejo por vínculos mais acolhedores

Uma análise divulgada na última semana detalhou que 86% dos brasileiros já enfrentaram comentários ofensivos, comparações ou críticas dentro do convívio familiar, prática conhecida como bullying familiar, frequentemente mascarada por supostas brincadeiras. As informações são do O GLOBO.O material, produzido pela consultoria On The Go, reuniu respostas de cerca de dois mil participantes de todas as regiões do país. Entre os dados mais expressivos, metade relatou situações centradas na aparência, fator apontado como fonte constante de constrangimentos.Casos conhecidos da cultura pop ajudam a dimensionar a gravidade desse tipo de comportamento. A atriz Ariel Winter, de “Modern Family”, relatou ter enfrentado um histórico traumático: “abuso físico e emocional por parte da mãe”, além de agressões domésticas e hostilidade contínua, contexto que levou à emancipação aos 17 anos.A pesquisa também mostrou que apenas 17% conversam com regularidade sobre esses desconfortos, embora a maioria manifeste vontade de abordar o tema de maneira aberta e cuidadosa. O levantamento evidencia um fenômeno silencioso, naturalizado e presente inclusive em lares que se apresentam como afetuosos.Apesar disso, 71% demonstram convicção no poder transformador de palavras positivas dentro do convívio familiar. Entre as respostas mais citadas ao serem questionados sobre o que gostariam de ouvir, aparecem termos ligados a incentivo, acolhimento, respeito e afeto, indicando disposição coletiva para relações mais empáticas.Para a On The Go, compreender essa dinâmica é determinante para aprimorar a comunicação doméstica. Ana Cavalcanti, Diretora de Insights da consultoria, reforça: “A pesquisa reforça que conversas afetuosas têm um impacto muito significativo no bem-estar e na autoestima. Mesmo em situações do dia a dia, comentários que parecem simples podem ser interpretados de formas diferentes. É por isso que entender esse contexto é tão importante. A boa notícia é que existe abertura para mudança e disposição para construir relações mais positivas”.Os resultados revelam contrastes relevantes entre segmentos populacionais. Mulheres (23%) e jovens de 18 a 24 anos (28%) apontam maior sensibilidade diante de situações desconfortáveis no ambiente doméstico, especialmente quando ligadas à aparência ou a comparações com outras pessoas.Nove em cada dez participantes desses grupos afirmam que tais práticas influenciam a forma como cada um se percebe. Mesmo assim, o levantamento indica forte disposição para conversas mais acolhedoras e para a construção de vínculos familiares mais positivos.

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