Música aparece como aliada na redução do risco de demência, aponta pesquisa
Levantamento amplia entendimento sobre impacto da audição e da prática musical na saúde cognitiva de pessoas idosas
Nesta sexta-feira (27), um levantamento conduzido pela Universidade Monash indicou que ouvir música após os 70 anos pode diminuir em 39% a probabilidade de desenvolvimento de demência, com base em dados apresentados na revista International Journal of Geriatric Psychiatry no dia 14 de outubro. As informações são do CNN BrasilA análise considerou mais de 10.800 participantes com idade avançada e identificou que tocar um instrumento musical na terceira idade também apresentou associação significativa, com redução de 35% no risco de demência. O estudo confirmou ainda que atividades musicais frequentes contribuem para a manutenção de funções cognitivas em pessoas idosas.O estudo descreveu que a audição regular de músicas reduziu em 17% o comprometimento cognitivo e apresentou melhora na memória episódica. A combinação entre ouvir músicas e praticar instrumentos musicais apontou diminuição de 33% no risco de demência e de 22% na possibilidade de prejuízo cognitivo.Emma Jaffa, aluna de honra da Universidade Monash e líder do trabalho, afirmou que as conclusões da análise “sugerem que as atividades musicais podem ser uma estratégia acessível para manter a saúde cognitiva em adultos mais velhos, embora não seja possível estabelecer uma relação de causa e efeito”.A ausência de tratamentos curativos para a demência reforça a urgência da busca por estratégias preventivas, de acordo com Joanne Ryan, professora da Universidade Monash e autora sênior da pesquisa. Joanne Ryan destacou: “As evidências sugerem que o envelhecimento cerebral não se baseia apenas na idade e na genética, mas pode ser influenciado pelas escolhas individuais de estilo de vida e fatores ambientais. Nosso estudo indica que intervenções baseadas no estilo de vida, como ouvir e/ou tocar música, podem promover a saúde cognitiva”.Mudanças estruturais e funcionais no cérebro surgem ao longo do envelhecimento, mas rotinas adequadas permitem reduzir o risco de demência e amenizar impactos cognitivos. Entre as medidas de proteção cerebral destacam-se atividades físicas regulares, alimentação equilibrada e estímulos cognitivos constantes.Práticas como quebra-cabeças, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, videogames, sudoku, cálculos matemáticos e uso de ábacos auxiliam na manutenção de atenção e raciocínio. A aprendizagem de novas habilidades, como idiomas ou esportes que exijam coordenação e concentração, também favorece a preservação cognitiva. O domínio de instrumentos musicais, conforme demonstrado pelo estudo, integra o conjunto de atividades benéficas para a saúde do cérebro.
