Paula Fernandes revela luta contra enxaqueca; saiba como retomar a qualidade de vida
Cantora revela desafios da condição neurológica crônica e mostra caminhos para reduzir impactos físicos e emocionais
Na última terça-feira (11), Paula Fernandes compartilhou em suas redes sociais a experiência enfrentando a enxaqueca, condição que afeta o sistema nervoso e vai além de uma dor de cabeça comum. A artista relatou que quatro anos de tratamento transformaram sua vida, permitindo maior controle sobre sintomas e retomada da rotina. As informações são do O Globo.A cantora descreveu a data como marco de mudança: “Hoje é um dia especial. 11 de novembro, a data em que minha vida começou a ganhar cor de novo. Naquele dia, eu entrei na clínica sem imaginar que estava também atravessando um portal, o início de uma nova fase da minha vida. Uma fase leve, sem dor, com liberdade para sonhar, criar e ser quem eu sou de verdade. Foi tão simbólico e transformador que decidi dar esse nome ao meu projeto: 11:11, um lembrete de recomeço, gratidão e esperança”.O neurologista Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina e membro da International Headache Society, explica que o tratamento da enxaqueca envolve muito mais do que o alívio da dor.“Quando falamos no tratamento da enxaqueca, buscamos não só reduzir a dor física, mas devolver qualidade de vida para esse paciente. O tratamento envolve o uso de medicamentos como anticorpos monoclonais Anti-CGRP, betabloqueadores, anticonvulsivantes e toxina botulínica, além de manejo no estilo de vida, principalmente com acompanhamento multidisciplinar, e afastamento de substâncias que atuam como cronificadores (chás estimulantes, café e chocolate). Atuando no controle da doença, diminuímos fortemente os impactos da enxaqueca”.O especialista alerta que a condição pode afetar diversas áreas da vida. “O impacto vai além da dor intensa e recorrente, refletindo-se no bem-estar emocional, nas relações pessoais, na vida profissional e até nas finanças”. Questões emocionais são especialmente sensíveis: “A frustração por perder momentos importantes e a sensação de falta de controle sobre o próprio corpo também estão ligadas a quadros de depressão e baixa autoestima. Ambas as condições compartilham alterações em neurotransmissores como a serotonina, fundamentais para o equilíbrio do humor e para a modulação da dor. Além disso, a imprevisibilidade das crises, a intensidade dos sintomas e as limitações impostas na rotina podem gerar sentimentos de impotência, de isolamento e de frustração, que favorecem o desenvolvimento ou a piora de quadros depressivos. Trata-se, portanto, de uma relação de mão dupla: a enxaqueca aumenta o risco de depressão, enquanto a depressão pode intensificar a percepção da dor e a frequência das crises”.A vida social e profissional também sofre alterações. “Muitos pacientes evitam eventos, viagens ou encontros familiares por receio de desencadear uma crise ou por não conseguirem lidar com os sintomas em público. Para aliviar os sintomas, pessoas com enxaqueca frequentemente se retraem, procurando um ambiente escuro e silencioso, o que pode ser interpretado como um afastamento social”. O especialista acrescenta que crises frequentes afetam rendimento no trabalho e podem exigir ausências, impactando desempenho individual e relações dentro da equipe.O impacto financeiro inclui custos diretos com consultas, exames e medicamentos, além de despesas indiretas pela perda de dias de trabalho. Apesar de não ter cura, a enxaqueca pode ser controlada. “A avaliação individual é essencial para recomendação do plano de tratamento mais adequado para cada caso. O médico também poderá auxiliar na identificação de gatilhos e fatores cronificadores da doença, o que é fundamental para o controle das crises”, conclui Dr. Tiago.
