Político brasileiro e ex-prefeito de capital é sobrinho-bisneto de santo milagroso
Político sempre tratou o tema com naturalidade e certo humor: “São dois santos na família. Ele e eu”, disse em entrevista
Ex-prefeito de São Paulo e um dos nomes mais conhecidos da política brasileira nas últimas décadas, Gilberto Kassab (65) carrega uma curiosidade pouco comum mesmo nos bastidores do poder: ele é sobrinho-bisneto de um santo canonizado pela Igreja Católica. O parentesco liga o político a São Nimatullah Youssef Kassab Al-Hardini (1808-1858), religioso maronita do século XIX, reconhecido oficialmente como santo pelo papa João Paulo II (1920-2005), em 2004.Conhecido também como São Naantalla Kassab ou Al-Hardini, o religioso nasceu em 1808, no atual território do Líbano, país de origem da família Kassab. A Igreja Maronita — católica oriental, em plena comunhão com o Vaticano — o venera como um de seus quatro santos oficiais. Sua festa litúrgica é celebrada em 14 de dezembro.A ligação familiar já foi confirmada publicamente pelo próprio Kassab, que sempre tratou o tema com naturalidade e certo humor. “Há uma proximidade, mas ele não é tão próximo”, disse o político em entrevista à Agência Estado quando era prefeito da capital paulistana. Em tom de brincadeira, chegou a comentar: “São dois santos na família. Ele e eu”.A história de São Nimatullah, no entanto, está longe de qualquer anedota. Nascido Joseph Kassab, ele ingressou ainda jovem na Ordem Maronita Libanesa, adotando o nome religioso de Nimatullah. Viveu grande parte da vida em mosteiros no norte do Líbano, onde se destacou como professor, encadernador de livros e formador espiritual — entre seus alunos esteve São Charbel Makhlouf (1828-1898), outro dos santos mais venerados do Oriente Médio.Descrito por seus contemporâneos como “um homem de oração intensa”, humildade extrema e dedicação absoluta à vida comunitária, Nimatullah ficou conhecido ainda em vida como “o Santo de Kfifan”, mosteiro onde faleceu em 1858, aos 50 anos. Após sua morte, relatos de curas e fenômenos extraordinários passaram a ser atribuídos à sua intercessão.Entre os milagres reconhecidos pela Igreja estão a cura de doenças neurológicas, a restauração da visão de um cego, a cura de um câncer no sangue e até a ressurreição de uma criança, segundo a tradição maronita. Um dos casos mais emblemáticos foi o de André Najm, curado de forma inexplicável de uma grave doença hematológica em 1987 — episódio que passou por investigação médica e teológica rigorosa antes de ser aceito oficialmente pelo Vaticano.O processo de beatificação teve início ainda no início do século XX e culminou em 1998, quando João Paulo II declarou Nimatullah venerável. Seis anos depois, em 16 de maio de 2004, ele foi canonizado, tornando-se oficialmente santo da Igreja Católica.A história do santo libanês e de seus descendentes no Brasil é retratada no livro “Brimos: imigração sírio-libanesa no Brasil e seu caminho até a política”, do jornalista Diogo Bercito, que analisa a influência de famílias de origem árabe na formação do poder político brasileiro — entre elas, a família Kassab. Um post compartilhado por caso curioso (@caso_curiosoinsta)
