Prefeitura de SP pagou valor milionário à igreja de Valadão sem justificativa; veja
Aditivo elevou patrocínio do Vira Brasil sem explicação técnica nem novas contrapartidas
A Prefeitura de São Paulo autorizou o pagamento adicional de R$ 1 milhão à Convenção Lagoinha, ligada ao pastor André Valadão, ao ampliar de R$ 4 milhões para R$ 5 milhões o patrocínio ao evento evangélico Vira Brasil 2026. O aumento foi formalizado sem justificativa administrativa apresentada e sem previsão de novas entregas ao município, apesar de ter ocorrido às vésperas da realização do evento. As informações são do Google Discover,O aditivo contratual foi assinado pelo secretário municipal de Turismo, Rui Alves, no fim da noite de 30 de dezembro, menos de um dia antes da celebração de réveillon realizada na Neo Química Arena. A transferência bancária ocorreu antes da assinatura do representante da entidade religiosa, o que fez com que o repasse antecedesse a validade formal do contrato.A elevação do valor não passou por avaliação da área técnica da secretaria nem recebeu justificativa pública. Todas as cláusulas originais foram mantidas, o que levou a administração municipal a pagar mais pelos mesmos serviços já previstos no acordo inicial.Entre os líderes religiosos da Lagoinha está Fabiano Zettel, parente por afinidade de Daniel Vorcardo e apontado como principal financiador das campanhas de aliados políticos do prefeito Ricardo Nunes, como o governador Tarcísio de Freitas e o ex presidente Jair Bolsonaro. A relação reforça questionamentos sobre o destino dos recursos públicos.O contrato previa “a locação de espaço e estrutura completa de palco para a realização do evento, tendo como contrapartida a inserção da logomarca da Prefeitura de São Paulo em todos os materiais de divulgação e comunicação do evento, nos painéis de LED do palco principal e na central da arena, no site oficial e nas redes sociais do Vira Brasil e na exibição do vídeo promocional para o público presente”. Esse conjunto de entregas já constava no valor inicial de R$ 4 milhões.O Vira Brasil contou com transmissão nacional, venda de ingressos de até R$ 700 para mais de 9 mil lugares em área VIP e comercialização de acessos exclusivos de R$ 7 mil, que incluíam participação em sorteio de automóvel. Mesmo assim, não houve captação de patrocínios privados para o evento.O montante destinado apenas ao Vira Brasil superou o dobro do orçamento municipal reservado ao apoio do carnaval de rua, fixado em R$ 2,5 milhões. Organizadores de blocos tradicionais têm apontado que o valor de R$ 25 mil por grupo não cobre os custos básicos dos desfiles.Ao comentar as críticas, o prefeito Ricardo Nunes declarou “A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio.” O evento evangélico não contou com patrocinadores externos.Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Turismo afirmou que o “aditamento do contrato foi feito de acordo com a legislação vigente, contemplando estrutura completa de sonorização, pirotecnia e locação de geradores”. O texto acrescenta que “É importante destacar que entre as atribuições da SMTUR está o patrocínio a projetos ou eventos de interesse social, turístico, cultural, religioso e similares”.
