Quantas mansões tem em São Paulo? Último imóvel de alto luxo construído custou R$ 57 milhões

Número de imóveis desta categoria cai cada vez mais desde os anos 1970; novos locais ganham espaço para mansões; confira

A era das grandes mansões urbanas parece estar chegando ao fim na cidade de São Paulo. Apesar de continuar sendo o maior polo econômico do país, a capital paulista praticamente parou de construir novos palacetes residenciais nos últimos anos — um contraste evidente com décadas passadas, quando casarões de alto luxo surgiam em ritmo acelerado.Um levantamento feito pelo Metrópoles em agosto do ano passado a partir do cadastro de IPTU da Prefeitura de São Paulo identificou cerca de 2.040 imóveis classificados como padrão F, a categoria mais elevada de luxo residencial da cidade. Essas propriedades, em geral, têm áreas superiores a 700 m² e chegam facilmente à marca de 1.000 m² de área construída.O dado que mais chama atenção é a queda abrupta na construção desse tipo de imóvel. Enquanto os anos 1970 e 1980 concentraram o auge das mansões paulistanas — com 447 unidades erguidas na década de 1970 e 463 nos anos 1980 —, a década atual contabiliza apenas 47 novas construções. Faz mais de um ano, inclusive, que nenhuma nova mansão foi concluída na capital.A mais recente delas fica no Jardim Paulistano: um imóvel de mais de 1.500 m², com quatro suítes, piscina e oito vagas de garagem, avaliado em R$ 57 milhões, segundo o levantamento do portal.Os registros da prefeitura mostram como esse tipo de construção se concentrou ao longo do século:1910: 11930: 41940: 141950: 281960: 461970: 4471980: 4631990: 3342000: 3752010: 2812020: 47A redução não está ligada à falta de dinheiro circulando na cidade, mas a uma combinação de fatores. A pressão do mercado imobiliário por verticalização é um dos principais. Em bairros onde não há restrições urbanísticas, construtoras preferem erguer edifícios altos, mais lucrativos do que uma única residência.Segundo a urbanista Lucila Lacreta, terrenos que antes abrigariam uma casa hoje despertam interesse para prédios inteiros. Além disso, mudanças no perfil das famílias, questões de segurança e novas preferências de moradia têm levado a elite a optar por apartamentos de altíssimo padrão ou por condomínios fechados fora da capital.As mansões remanescentes concentram-se, sobretudo, em áreas exclusivamente residenciais, onde a verticalização é proibida, como Jardim América, Jardim Europa, Jardim Paulista e Jardim Paulistano. Fora desse eixo tradicional, bairros como Cidade Jardim, Morumbi, Jardim Guedala e Parque dos Príncipes passaram a concentrar imóveis de alto padrão a partir dos anos 2000. Mesmo assim, muitas dessas propriedades vêm sendo demolidas ou vendidas para dar lugar a novos empreendimentos.Outro fator decisivo é a migração dos super-ricos para cidades vizinhas. Condomínios de luxo em Barueri, Santana de Parnaíba e Porto Feliz se tornaram os novos endereços da ostentação. O residencial Tamboré, por exemplo, reúne celebridades, influenciadores e até construções que lembram castelos, enquanto a Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, virou símbolo do novo luxo paulista.  Um post compartilhado por Wallace Nicolau | Corretor dos Famosos e Milionários (@wallace.nicolau)Dentro da capital, muitos trocaram os palacetes horizontais por apartamentos gigantescos. O mercado de luxo vertical segue aquecido: só em 2023 foram construídos 460 apartamentos padrão F, o maior número desde 2011.Um dos casos mais emblemáticos é o de Faustão (75), que deixou uma mansão de 3.716 m² no Jardim Guedala para morar em uma cobertura avaliada em cerca de R$ 120 milhões. Já entre os que ainda mantêm mansões na cidade está o ex-governador João Doria (68), dono de um imóvel de mais de 3.300 m² no Jardim Europa.O cadastro municipal aponta como uma das mansões mais antigas um imóvel de 1919 na Vila Nova Conceição, mas registros históricos indicam construções ainda mais antigas. No início do século XX, a elite cafeeira ocupava bairros centrais como Campos Elíseos e a avenida Paulista — regiões onde a maioria dos casarões acabou demolida.Alguns poucos resistem, como a Casa da Don’Anna, projetada por Ramos de Azevedo, hoje transformada em espaço cultural e gastronômico. São lembranças de um tempo em que São Paulo crescia para os lados, e não para o alto.

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