Saiba como o calor pode sabotar sua pele mesmo na sombra

Radiação infravermelha e aumento da temperatura corporal comprometem a barreira cutânea e favorecem inflamações

Dermatologistas estão chamando atenção para um fator muitas vezes negligenciado nos cuidados com a pele: o calor. De acordo com estudos recentes, a radiação infravermelha, responsável por cerca de 40% da energia solar que atinge a Terra, pode causar danos profundos mesmo em ambientes com sombra. A exposição prolongada eleva a temperatura da pele, intensifica o estresse oxidativo e estimula a degradação do colágeno e da elastina, acelerando o surgimento de rugas e manchas. As informações são do O Globo.A médica dermatologista Flávia Brasileiro, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explicou que “a radiação infravermelha, especialmente a fração IRA (760–1400 nm), penetra profundamente na pele e desencadeia a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) nas mitocôndrias, levando ao estresse oxidativo. Esse processo danifica o DNA mitocondrial, ativa enzimas que degradam colágeno e elastina e estimula mediadores inflamatórios relacionados ao envelhecimento precoce. O resultado é uma pele mais fina, menos elástica, com maior propensão a rugas, flacidez e manchas persistentes, como as observadas em pacientes com melasma. Além disso, a exposição prolongada ao calor pode comprometer a barreira cutânea, favorecer ressecamento, aumentar a perda de água transepidérmica e agravar quadros de dermatite e fragilidade vascular”.Flávia destacou que o calor amplifica os efeitos da radiação ultravioleta, criando um ambiente que acelera inflamações e mutações celulares. “Em um cenário de aquecimento global, no qual ondas de calor extremo se tornam cada vez mais frequentes, esse impacto tende a se intensificar. A pele, já exposta diariamente à radiação solar, enfrenta agora uma sobrecarga térmica que pode acelerar processos de envelhecimento, inflamação crônica e agravar doenças pigmentares”, observou.Para reduzir esses danos, especialistas recomendam uma abordagem mais ampla de proteção, que vá além do uso de filtro solar tradicional. “O uso de roupas adequadas, acessórios físicos como chapéus e sombrinhas, bem como a aplicação de antioxidantes tópicos, como vitamina C, vitamina E e polifenóis, são medidas cada vez mais recomendadas”, ressaltou Flávia.O farmacêutico e especialista em cosmetologia Maurizio Pupo, CEO da Ada Tina, explicou que “a energia térmica da radiação infravermelha (calor) aumenta a temperatura da pele, o que leva à produção de mais enzimas que degradam colágeno e elastina, além de promover estresse oxidativo e inflamação crônica. Estamos inaugurando uma nova categoria de fotoproteção anti-idade. O Biosole Super Age FPS 90 não só oferece altíssima proteção contra as radiações UVA, UVB e UVA-Longo, como também defende a pele do impacto das altas temperaturas. Assim, o produto atua na prevenção de rugas, flacidez, manchas e melasma, além do câncer de pele”.Além da fotoproteção tópica, a suplementação oral tem ganhado destaque como aliada no controle de manchas e inflamações cutâneas. A farmacêutica Patrícia França, gestora científica da Biotec Dermocosméticos, ressaltou que “nós moramos em um país muito quente, com um alto índice de radiação infravermelha (calor). Então como recomendar que alguém não passe calor? Por isso a suplementação é fundamental. Se não suplementar, não adianta tratar o melasma. É enxugar gelo”.Flávia explicou que “os fosfolipídeos de caviar contam com ômega-3, que tem ação anti-inflamatória pela presença de EPA e DHA vetorizados em fosfolipídeos, Astaxantina e vitamina E. Dessa forma, proporciona ação anti-inflamatória e também forma uma barreira epidérmica, mantendo a membrana celular íntegra e hidratada. A presença da astaxantina e vitamina E em sua constituição confere ainda ação antioxidante, melhorando a homeostase cutânea e protegendo tanto o interior quanto a superfície das membranas fosfolipídicas presentes em nossa pele contra o estresse oxidativo”.Flávia Brasileiro reforçou que, para peles já sensibilizadas, o foco deve estar na reparação da barreira cutânea e na redução do estresse oxidativo. “Isso pode ser feito com produtos calmantes e hidratantes leves, ricos em antioxidantes como vitamina C, vitamina E ou polifenóis, que ajudam a neutralizar radicais livres gerados pela radiação infravermelha. Até mesmo os procedimentos estéticos devem ser pensados em conjunto com a restauração dessa barreira, para não criar ainda mais inflamação. Uma possibilidade é associar tratamentos, com uso da hidrodermoabrasão do Hydrafacial, para oferecer soluções nutritivas e hidratantes, em combinação com tecnologias e injetáveis”, explicou.A médica concluiu destacando a importância da prevenção. “O fundamental é reforçar a prevenção. E, para isso, é importante manter uma rotina de fotoproteção ampliada, incluindo filtros solares de amplo espectro que ofereçam ativos contra os danos do calor e não apenas contra os raios UVA e UVB”.

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