Saiba por que Moraes transferiu Bolsonaro da PF para a Papudinha
Decisão do STF aponta cela mais ampla e estrutura ajustada a pedidos da defesa
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a remoção do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para uma cela localizada na chamada Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na última quinta-feira (16). A medida alterou o local de custódia após avaliação das condições de acomodação e dos requerimentos apresentados pela defesa. As informações são do CNN Brasil.A decisão levou em conta manifestações públicas e petições apresentadas por familiares e advogados, que vinham apontando desconfortos relacionados à permanência do ex-presidente nas dependências da Polícia Federal e solicitavam mudanças no regime de custódia.No despacho, Moraes afirmou que não procedem as alegações feitas por aliados, mas destacou que a transferência permitiria acomodar o ex-mandatário em ambiente com “condições ainda mais favoráveis”, o que possibilitaria atender de forma mais adequada às solicitações apresentadas pela defesa.Com a mudança, o magistrado considerou aspectos como espaço disponível, acesso a alimentação compatível com orientações médicas, possibilidade de banho de sol, ampliação do tempo de visitas, acompanhamento médico e viabilidade de sessões de fisioterapia. Esses pontos haviam sido reiteradamente levantados pelos advogados ao longo do período de custódia na Polícia Federal.A nova cela possui 64,83 metros quadrados, dimensão superior à sala de 12 metros quadrados utilizada anteriormente. Enquanto o espaço anterior reunia banheiro, cama, mesa, televisão, frigobar e cadeira em um único ambiente, a instalação na Papudinha conta com divisões internas que incluem banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala.Segundo o ministro, o local dispõe de banheiro com chuveiro de água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão. A cozinha permite o preparo e o armazenamento adequado de alimentos, levando em consideração recomendações médicas relacionadas à dieta do ex-presidente.Além da área interna, a acomodação oferece um espaço externo de 10,07 metros quadrados, destinado a banhos de sol com privacidade e sem necessidade de agendamento prévio.Em relação às visitas, Moraes avaliou que o espaço comporta encontros em área coberta ou externa, com mesas e cadeiras disponíveis. A decisão autorizou visitas permanentes de Michelle Bolsonaro e dos filhos Carlos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Laura Bolsonaro, além da enteada Leticia da Silva, sem exigência de autorização judicial individual.O despacho também garantiu atendimento religioso semanal, outro pedido apresentado pela defesa enquanto o ex-presidente permanecia na Polícia Federal.Desde a prisão, em 22 de novembro, familiares e advogados vinham solicitando atenção médica ampliada, citando problemas no trato digestivo decorrentes da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. A saúde do ex-presidente era apontada como argumento central para pedidos de prisão domiciliar.Moraes ressaltou que a transferência facilita o atendimento dessas demandas, uma vez que o complexo conta com posto de saúde equipado com médicos clínicos, enfermeiros, dentistas, assistente social, psicólogos, fisioterapeuta, técnicos de enfermagem, psiquiatra e farmacêutico.O ministro ainda autorizou a instalação de equipamentos de fisioterapia e adaptações como grades de proteção na cama e barras de apoio em diferentes pontos da cela, com o objetivo de prevenir quedas, após um tombo sofrido pelo ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal em 6 de janeiro.A Papudinha integra o Complexo Penitenciário da Papuda e é considerada uma área de custódia com controle mais restrito e condições superiores às demais unidades do complexo. O local costuma abrigar presos com direito a prisão especial, como policiais militares, além de autoridades que, por motivos de segurança, não permanecem junto a detentos comuns.No mesmo prédio também estão custodiados o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, em celas distintas.
