Saiba quantos usuários de canetas emagrecedoras mantêm perda de peso após parar medicação; VEJA
Especialistas destacam manutenção de hábitos saudáveis como fator decisivo para evitar reganho de peso
Estudos recentes sobre medicamentos para perda de peso à base de semaglutida e tirzepatida indicaram que 45% dos usuários conseguem manter o emagrecimento após um ano sem o uso, segundo análises com pacientes com sobrepeso ou obesidade em diferentes contextos. Os dados reforçam que a interrupção exige mudanças permanentes no estilo de vida e acompanhamento médico. As informações são do O Globo.Esses medicamentos auxiliam no controle do apetite e aumentam a saciedade, mas não eliminam a obesidade. Dúvidas frequentes envolvem a continuidade do tratamento, o risco de recuperação do peso e os efeitos do uso intermitente, conhecido como padrão ioiô.Parte dos usuários deixa o tratamento por motivos como custo elevado, efeitos colaterais ou dificuldade em manter o uso contínuo. Os impactos de interrupções e retomadas ainda são alvo de estudo, já que essas terapias são recentes.Uma análise publicada na revista The Lancet apontou que cerca de 60% do peso perdido pode retornar em um ano após a suspensão, com estabilização próxima de 75% ao longo do tempo. Os dados indicam manutenção parcial dos resultados, mas inferior ao período com uso do medicamento.Outro levantamento, conduzido pela Cleveland Clinic, mostrou que 45% dos participantes mantiveram o peso após um ano sem os remédios. Os melhores resultados apareceram entre pessoas que mantiveram dieta equilibrada, prática de exercícios ou adotaram tratamentos alternativos.Especialistas afirmam que, em alguns casos, a retirada pode ocorrer de forma gradual, sempre com supervisão médica e manutenção de hábitos saudáveis.Profissionais da área avaliam que esses medicamentos tendem a ser utilizados por longos períodos, já que a obesidade apresenta comportamento recorrente.“O uso prolongado vai depender das necessidades do paciente. Mas são drogas de uso contínuo, assim como a obesidade é uma doença crônica e recidiva”, afirma o endocrinologista João Salles, diretor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e secretário-geral da Federação Latino-Americana de Obesidade.“Alguns pacientes podem ser orientados a reduzir a dosagem ou a passar a tomar outros medicamentos. Para ficar no peso desejado tem que mudar e manter o estilo de vida”, destaca o especialista.“Quem começar a usar, provavelmente precisará manter esses remédios para sempre. Não vejo um desmame eficiente. Uma minoria pode até conseguir, mas não é para todo mundo”, avalia Lício Velloso, especialista em obesidade da Universidade Estadual de Campinas e membro da Academia Brasileira de Ciências.Especialistas apontam que muitos pacientes iniciam o tratamento com a expectativa de interromper o uso no futuro, o que nem sempre se confirma.“Caneta não é elixir de magreza. No momento, não há garantia de que o indivíduo não precisará ficar com o remédio e a academia pela vida toda. É fundamental a manutenção da dieta e da atividade física, e não são volumes pequenos de exercício. Quando se para, é muito difícil não engordar”, afirma Bruno Gualano, coordenador do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Universidade de São Paulo.Pesquisas também apontam que a suspensão pode diminuir benefícios cardiovasculares associados ao uso contínuo. Estudo publicado na BMJ Medicine indicou aumento no risco de infarto, AVC e morte após períodos sem o medicamento.“Nossos dados sugerem que esse chicote metabólico é prejudicial à saúde cardíaca. Reiniciar o medicamento ajudou a restaurar alguma proteção, mas apenas parcialmente, mostrando que a descontinuação deixa uma cicatriz duradoura”, diz o estudo.Especialistas alertam que o uso alternado, com pausas e retomadas, pode favorecer ganho progressivo de peso e dificultar novas tentativas de emagrecimento.“O esperado é que se ganhe peso quando se interrompe o tratamento. Quando se emagrece, se perde gordura e músculos. Mas quando se engorda, o aumento é todo em gordura. A pessoa vai ficando cada vez pesada e com menos músculos”, explica Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo.“O efeito ioiô é muito nocivo. Ele é mais perigoso do que as pessoas costumam imaginar, precisa ser motivo de atenção”, complementa o especialista.Os resultados disponíveis ainda apresentam variações entre estudos, o que reflete o uso recente dessas terapias em larga escala. Pesquisadores indicam que análises futuras devem trazer conclusões mais definitivas sobre os efeitos no longo prazo.
