Golpe com chave Pix de CPF acende alerta às vésperas do IR 2026

Especialistas e autoridades orientam contribuintes a vincular o CPF a conta própria, monitorar chaves Pix e agir rapidamente em caso de irregularidades

Faltando poucos dias para o início do prazo de entrega do Imposto de Renda (IR) 2026 (ano-base 2025), surge uma nova modalidade de fraude que utiliza a chave Pix vinculada ao CPF de forma indevida, gerando preocupação entre contribuintes e especialistas. A prática pode resultar no desvio da restituição para a conta de um terceiro sem que o titular tenha conhecimento.A partir de 2022, a Receita Federal passou a permitir que a restituição fosse paga por meio do Pix, desde que o CPF do contribuinte fosse utilizado como chave. A fim de minimizar erros na inserção de dados bancários e agilizar os pagamentos, a medida foi implementada. Neste ano, o mecanismo se tornou ainda mais importante com a expansão do grupo elegível para receber restituições, abrangendo trabalhadores de baixa renda. Mesmo que não façam declarações de ajuste anual, esses indivíduos poderão ser beneficiados por um modelo automático de devolução chamado “cashback do IR”.O funcionamento do golpe, segundo especialistas, envolve o uso de dados pessoais obtidos de forma irregular. Com essas informações, criminosos conseguem abrir contas em instituições financeiras em nome de terceiros e vincular os CPFs das vítimas como chaves Pix. Quando as restituições de IR são processadas pela Receita, os valores acabam sendo direcionados para essas contas fraudulentas.Casos reais ilustram a fragilidade do sistema. A jornalista Amanda Pinheiro de Oliveira, de 30 anos, descobriu que sua restituição havia sido enviada para uma conta desconhecida após consultar o sistema Registrato, do Banco Central (BC) — que permite consultar diversos relatórios com informações sobre o cidadão ou sua empresa.— Percebi que a minha restituição tinha ido para uma conta que eu nem sabia que existia — afirma.Ela relata ter aberto diversos protocolos no Banco Central e na Receita Federal, além de registrar boletim de ocorrência, mas até hoje não conseguiu recuperar o valor.

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